Palavras Soltas

Cecília de Assis Brasil Petrarca Figueiredo
Colunista do blog

Nós somos feitos de universos, mundos sem fim. E não temos tantos espaço interno para armazenar tanto infinito. Nosso disco não comporta tanto sentir, ser e pensar.
Há coisas demais circulando em nós. Em mim por vezes há um turbilhão que quase posso sentir e até ouvir o barulho das batidas insistentes na porta da minha alma. Talvez por isso eu goste de escrever. Sem pretender escrever bem, ou mal, mas simplesmente liberar espaço no meu próprio disco. Tanta coisa que reside em nós... Empurram-se, se acotovelam tentando disputar importância e atenção. Tudo isso nos desgasta. Tudo isso habita em nós e vai evitando que tenhamos um lugar vago para colocar outras idéias.
Tudo guerreia dentro da gente, trivialidades, questões, obrigações, relações e tantos afins. É preciso organizar nossos mundos, eu particularmente sou inúmeros continentes, sou povoada de multidões de todos os tipos. Afogo-me em mim, então escrevo, escrevo o que vem...E depois de um tempo quando releio percebo que me fez bem e que já não tem tanta importancia assim ; são as coisas mais sinceras certamente. Não são aquelas já demasiado racionalizadas: são espontâneas.. Eu penso do mesmo modo desde sempre... mas a minha atitude vai mudando... crescer é isso mesmo. Por vezes as palavras dão azo a uma forma. são a forma das ideias que detenho sobre algo e que eu sentia no intimo mas nunca havia traduzido para o exterior. Sugo tudo aquilo que penso e sai tudo em forma de letras, desorganizadas como muitas vezes estão em mim, confusas ou difusas, concretas, corretas, certas ou incertas. Coisas do momento, pensamento sem tempo, decisão ou definição... Porque definir é limitar, eu exponho apenas o que penso. Pontos de vista. Esses que vão amadurecendo ou se perdendo. E estão sempre sujeitos a alterações. Se eu mesma estou em constante renovação, se eu sou exemplo de dinâmica, ideias fixas são mesmo parvoíce. E por isso eu estou sempre sujeita a alterações, não na essência. Mas sempre na forma de tentar, de entender interpretar a vida. De repente o que escrevo agora, neste minuto já não se aplica ou não se encaixa no meu momento seguinte...
É eu sei, tem pouco de loucura nisso. Mas quem é certo o suficiente para saber quem é o mais louco??????? 
Eu não sou... certa, óbvio...

Comentários