Jovem ainda. Roberto Bolaños completa 85 anos



Charles Chaplin, Buster Keaton, Peter Sellers, Jacques Tati. Ícones na arte de fazer rir. Ídolos de gerações que, por anos, divertiram com seus hilários e inesquecíveis personagens. Nesta sexta-feira, outro mestre da comédia, tão marcante quanto os já citados, chega aos 85 anos contrariando os frequentes – e geralmente infundados – boatos acerca de sua morte: Roberto Gómez Bolaños, o homem que se vestiu de criança para provocar o riso, comover, e eternizar personagens como o menino órfão e pobre que vive em um cortiço e atende pelo nome de El Chavo Del Ocho. Ou Chaves, para os brasileiros.
Bolaños nasceu no dia 21 de fevereiro de 1929, na Cidade do México. Foi o segundo de três filhos do casal Francisco Gómez Liñares e Elsa Bolaños Cacho-Aguilar. Desde sempre, ele esteve envolvido no meio artístico. Seu pai era ilustrador, pintor e desenhista, e sua mãe, dançarina e poetisa. Começou a se destacar ao criar roteiros para o rádio e jingles publicitários que o levaram a roteirizar um programa humorístico, também no rádio. O sucesso faz com que o show seja levado à televisão, e “Cómicos y Canciones” rapidamente se torna um dos programas de maior audiência. É lá que o Bolaños escritor começa a dar lugar ao ator. Ainda assim, começa a escrever roteiros para o cinema, e chama atenção pelo seu talento. Tanto, que começa a ser chamado de “pequeno Shakespeare”, ou Shakespirito. Não demorou muito, e ele adaptou a alcunha para Chespirito, como é conhecido até hoje.
Oh, e agora quem poderá me defender? – Em 1970, ganha vida um dos mais célebres personagens de Bolaños. Vestindo um curioso uniforme vermelho com anteninhas de vinil e um coração como símbolo, o Chapolin Colorado é a antítese de todo super-heroi que se preze: seu físico é minguado, sua coragem é nula e sua inteligência, rara. Sua identificação com o público, porém, vinha do fato de que ele sempre superava as adversidades, os medos e os clássicos vilões (Tripa Seca, Quase Nada, Rasga Bucho) para salvar o que fosse: um casal em apuros numa cabana assombrada pelo Abomineve Homem das Naves, digo, Abominável Homem da Neves; ou ajudar a Camponesa-simples-de-nobre-coração-que-vai-todos-os-dias-ao bosque-recolher-lenha das mãos da terrível Bruxa Baratuxa. Ao contrário de herois como Batman e Homem-Aranha, que têm suas origens em animais perigosos, o Polegar Vermelho (como também é conhecido), foi inspirado em um inofensivo gafanhoto, que, tal qual o heroi, é pequeno e frágil. Mas destemido quando necessário, e, claro, com a ajuda de suas indefectíveis Marreta Biônica, Corneta Paralisadora e Pastilhas Encolhedoras de Nanicolina. Principais bordões: “Eu!”, “Não contavam com minha astúcia!” “Sigam-me os bons!”, “Sim, eu vou…”, “Palma, palma, não priemos cânico!”, “Silêncio, silêncio… Minhas anteninhas de vinil estão detectando a presença do inimigo!”.
Tinha que ser o Chaves mesmo! – Tinha mesmo que ser um gênio sensível como Bolaños o criador de um personagem tão fascinante como o órfão de oito anos que vive com fome e, em um cortiço, apronta com todos os vizinhos. Surgido em 1971, Chaves (Chavinhooo…), e teve como inspiração um menino engraxate que Bolaños havia conhecido dias antes. O menino usava um gorrinho de tecido e era louco por sanduíches de presunto. Embora engraçado e repleto de personagens hilários, como Seu Madruga, Quico e Chiquinha, o programa sempre fez uma reflexão, mesmo que velada, acerca das diferenças sociais presentes já naquele tempo entre os países latinos.
Chaves é um garoto que vive à própria sorte, faz bicos de engraxate, vendedor de refrescos de limão que parecem de tamarindo e têm gosto de groselha, além de favores esporádicos aos vizinhos (como ir na venda da esquina e voltar comendo a mercadoria). No entanto, apesar das dificuldades (ele passa fome, frio e chega a ser acusado de ladrão em um tocante episódio), Chaves é inventivo, extremamente imaginativo e esperto. Como não lembrar de seus dotes artísticos quando desenhou a quase-expressionista Chinforínfola?
Além dos eternos Chaves e Chapolin, Bolaños deu vida a outros personagens, como Dr. Chapatin, Chaveco e Pancada. Hoje, devido a problemas de saúde, ele vive praticamente recluso em sua residência em Cancún, ao lado da esposa Florinda Meza (sim, a própria Dona Florinda). Vida longa a esse mestre da comédia! E um bolo igual aos da Brux… Dona Clotilde para comemorar o aniversário.

Fonte: A Razão

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