Palavras soltas

Cecília de Assis Brasil Petrarca Figueiredo
Colunista do blog

E o outono...
O outono parece que me resseca por dentro, que me desidrata e me faz despencar...
Sinto um oco, um vazio, uma melancolia difícil de explicar, não deve ser explicável...
Gosto de luz, de cor, de claridade, de brilho, de exuberância, de excessos e de coisas vivas, abundantes. O Outono me parece ser o oposto de tudo isso, seus dias me trazem uma sensação de fim, de encerramento, uma impressão de desolação, de abandono, de solidão, de desolação, de provação... 
O Outono...
O Outono pede reflexão, intimismo, conversa com a gente mesmo, escolhas que sugerem desapegos que geram carências. Prova de fogo, que exige compreensão e aceitação no deixar cair e ir de tudo o que não tem forças para sobreviver aos invernos da vida. O outono não é alegre, claro que não, ele requer despedidas, coragem para enfrentar toda a nossa indisfarçável fragilidade diante dos ciclos da vida que refletem e se confundem com o que somos, nossas falhas, impotências e necessidades mais íntimas, mas que nos impõem reação, garra e fé...
O Outono...
O Outono me faz pensar e entender que, se não houvessem folhas caindo, paisagens sombrias, dias neutros, cinzas, desbotados, descoloridos e aparentemente tristes, jamais poderíamos valorizar a floração, a renovação, a reconstrução, a ressurreição; nunca aprenderíamos a apreciar e saber da importância e da beleza do rosa choque, do azul calipso celeste celestial, do verde esmeralda esperança, do encarnado fogo vida determinação, do branco puro paz infinito e do amarelo ouro luz e caminho para o amanhã...
O Outono...
O Outono não é apenas mais uma estação, é o exemplo de força das raízes que nos sustentam, do poder dos nossos velhos troncos, da capacidade de nossa seiva moral e espiritual que nos alimenta, impulsiona e revigora para enfrentar os frios e as crueldades do mundo. O Outono não é o fim, é o começo de tudo. É o tempo de dar tempo ao tempo, de descartar, ignorar, abandonar, reciclar, superar os rigorosos invernos e rebrotar para as maravilhosas e felizes primaveras da existência que culminam no brilho e no calor maduro dos corações verões que habitam dentro de cada um de nós...
O Outono...
Mas então... não é assim tão ruim e nem tão triste o outono; eu é estou enganada! Me dou por conta que não são tão desesperançosos e desencantadores os outonos; são isso sim, prenúncios de dias frios mas mais claros, mais maduros, mais sentidos, mais sobrios, mais exigidos, mas muito mais valorizados..
Que venham os outonos, pois folhas secas ou mortas, chãos frios e duros, tristezas e decepções, gelos e gelados de sentimentos alheios nos servirão de adubo, experiência e ensinamento para as flores e alegrias que enfeitarão as estradas daqueles que vivem a vida em busca de caminhos ensolarados de fé, de luz, de amor e de paz...