Textículos de Mário Mércio

Mário Mércio
Colunista do blog

SEM NOÇÃO

Tempos há que as pessoas repetem palavras; Seguidamente se ouve a mesma pronúncia. Acham bonito aquilo e todo mundo começa a repetir. Agora estamos no auge do “sem noção”.
O psicanalista Jackson Buonocore, também sociólogo, interpreta que isso é um comportamento psíquico que pode variar envolvendo personalidades nascísicas, invasivas e psiquismos que a psicanálise classifica como perversão, um desvio que pode assumir formas e graus diferentes de expressão. Diz que existem muitos tipos de “sem noção” por ai, mas existe uma regra que vale para todos: ter jogo de cintura, não reagir a sua agressividade ou falta de educação, pois eles são “sem noção mesmo”.
Eu acho que o mundo está cheio de “sem noção” e que a cada dia eles aparecem por ai a nos atazanar. Eles estão entre nós e são nossos amigos ou amigos “virtuais”, enchendo nosso saco com suas postagens “sem noção alguma”. É o mala, o chato, o chatíssimo, inconveniente, tagarela, folgado, espaçoso, escandaloso.
O “sem noção” é aquele cara que na sua empresa imprime textos coloridos, sem pedir licença ao dono ou gerente e os leva para sua casa, é aquele cara que ri na rua escandalosamente ou fala alto no bar que você está com a esposa ou namorada. No facebook ele posta o que almoçou, bebeu e vestiu durante o dia. Diz suas frustrações e suas alegrias (alegrias ainda passa) e ainda expõe seu lado sombrio, suas dores, desconfianças e desejos. Interação é uma palavra que não existe em seu vocabulário. Então como lidar com esses “sem noção”? Ora eu excluo-os de meu circulo, evito-os ou simplesmente suporto-os. Não tem jeito, eles são mesmo “sem noção”.

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