Textículos do Mário Mércio

Mário Mércio
Escritor e colunista do site

A BANALIDADE DO MAL
A filósofa Hannah Arendt (1906-1975), uma teórica-política que seguia Sócrates, escreveu sobre a BANALIDADE DO MAL. Na época houve muita intriga com seu livro, mas hoje já aceitamos suas teorias, senão vejamos:
Quando assistimos no descanso de nosso lar as notícias já estampam uma série de maldades que nos chocam, mas chocam assim, pensando sozinho, mas na verdade nos acostumamos a estas notícias que só comentamos quando se trata de pessoa conhecida, que nos dá uma sensação de ansiedade e insegurança. Senão passa batido!
O homem é o lobo do homem! Já dizia o filósofo Thomas Hobbes. Ai vemos não só essas notícias, mas nos filmes e na convivência diária. Estão ai os socos e pontapés das lutas UFC e MMA que expõem uma crueldade alucinante e que mesmo assim é sucesso.
Aí fico a pensar na educação em casa, na escola, na malformação congênita, ambientes deletérios, que formam nossas crianças ao ponto de verem uma pessoa sofrendo na rua e não ajudarem, num mundo do “cada um para si”. Jovens adolescentes acabam transformando-se em adultos, muitos anos antes.
Será a complexa e perversa desigualdade social que faz estes “monstros”, levando-os ao caminho da maldade: crimes, corrupção, morte, tráfico de drogas, de armas, criando esta banalização da violência e do mal?
Creio que a maldade humana não é só uma pane no cérebro (loucura agressiva), também não é falta de empatia, problemas sociais ou uma prática restrita aos criminosos, mas ela pertence à natureza humana. Alguém já disse que o ódio se aprende mais que a compaixão, isto é, respeito pelos outros. O sociólogo Jackson Buonocore, a quem me reporto seguidamente, pergunta: Será que Nero, Hitler, Stalin, Idi Amim, Saddan, seriam doentes frutos de traumas de uma sociedade cruel?
Mas segundo Hannah Arendt, o mal não é uma categoria antológica, não é natureza, nem metafísica. O mal é político e histórico: é produzido por homens e se manifesta apenas onde encontra espaço institucional (no nosso caso, onde falta polícia e leis severas).
A trivializaração da violência corresponde, para Arendt, ao vazio do pensamento, onde a banalidade do mal se instala. 
Sem dúvida precisamos de medidas eficazes e não simplesmente arranjar culpados para tanta maldade. Tornar as penas mais duras e efetivo cuidado com estes criminosos para que não saiam ainda piores da prisão, reabilitando-os, profissionalizando-os e dando trabalho e dignidade a quem muitas vezes nunca teve uma chance sequer.
Assim, o homem não será mais o lobo do próprio homem.