Espaço do leitor

Tarso Francisco Pires Teixeira
Presidente do Sindicato Rural de São Gabriel
Vice Presidente da Farsul

Agronegócio e Prefeituras: Discutindo a relação
Tornou-se lugar comum falar a respeito da importância do agronegócio como o motor mais dinâmico da economia brasileira. Somente em 2013, a receita com as exportações provenientes do campo foi de R$ 101,5 bilhões. O crescimento acumulado do PIB nacional durante o ano passado, de apenas 2,3%, só foi possível graças à expansão do agronegócio, que cresceu 7% no mesmo período, enquanto outros setores decaíram. Se estes números refletem a importância do setor para o país todo, maior ainda é a importância do agronegócio no Interior, onde a imensa maioria dos municípios brasileiros tem no setor rural a base principal de sua economia. Este fato é ainda mais relevante no Rio Grande do Sul, cuja economia cresceu, no ano passado, três vezes mais que a nacional justamente por conta do enorme potencial do campo. Somente em São Gabriel, o avanço de setores como a sojicultura, bovinocultura de corte e silvicultura respondeu por um aumento de 233% no PIB em dez anos, elevando-o ao seleto grupo de 40 cidades gaúchas com PIB superior a R$ 1 bilhão, o que também ocorre em outros municípios do Estado. 
Mas apesar da força que o campo tem dado às cidades, os governos municipais do Interior ainda não despertaram para esta nova realidade e as novas exigências que ela traz para a boa governança de suas localidades. O próprio produtor rural, mais acostumado a cobrar providências da União e dos Estados sobre políticas públicas, por vezes esquece de cobrar a devida atenção dos Municípios neste aspecto. E sim, apesar de a União concentrar a maior parte da política de fomento, os governos municipais tem muito o que fazer para o aperfeiçoamento logístico do setor.
Em quase toda a Fronteira Oeste, Campanha Central e Região Sul, o estado caótico das estradas municipais já começa a comprometer a competitividade. Ao invés de investir nas vias do interior, muitos prefeitos preferem criar instrumentos legais para limitar o tráfego de caminhões bi-trem, aumentando o custo do escoamento da produção, como se fosse possível nas super-safras de hoje em dia voltar aos pequenos caminhões da década de 70. Há ainda, em muitos casos, a negligência deliberada com a fiscalização sanitária em abatedouros e açougues, fingindo não ver a cadeia criminosa do abigeato que joga pela janela um dinheiro que faz falta nos cofres das prefeituras. 
Na maior parte dos casos, isso se deve à mentalidade política, que no Interior, ainda não acompanha as grandes transformações que o agronegócio promoveu na economia. Se tiver que escolher entre arrumar uma estrada para uma região rural com cerca de 20 famílias e promover um mutirão num bairro com cerca de 200 casas, um político dificilmente pensará no que trará mais retorno financeiro, escolhendo o que dará mais votos. A mudança do perfil econômico das cidades do interior, pede um novo perfil de gestor municipal, que saiba que é eleito para governar não somente a cidade, mas o município, cuja zona rural traz o progresso que a cidade precisa.