Textículos do Mário Mércio

Mário Mércio
Escritor e colunista do site

MÃE É MÃE
Todas as mães zelosas diriam uníssono: “Em Brasília não há inocentes”, parodiando Nelson Rodrigues.
Não sem razão, até porque todos os cúmplices, principalmente os de Brasília se consideram inocentes. Eles possuem de si própria aquela indulgente opinião que só se encontra nas mais extremosas mães ao defenderem seus queridos filhinhos. Estas crédulas senhoras acreditam que seus rebentos são sempre um querubim, um ser angelical, ainda que eles se chamem Dirceu, Jefferson, Lúcifer ou mesmo Hitler. Por falar no Fuhrer, se ele tivesse se submetido à CPI dos vencidos em Nuremberg, sua mãe Klara, teria se transformado na sua mais candente testemunha de defesa.
Agripina, mãe de Nero sabia muito bem o filho que tinha e mesmo vítima de matricídio (matar a mãe) não deixaria de defender seu monstrinho. Ela diria candidamente na CPI que Nero só queria ver Roma iluminada e não incendiada.
Já D. Viridiana Escobar, mãe do facínora Pablo Escobar diria na sua sepultura em Medellín: “Pablito era muito carinhoso, caridoso e altruísta, sem vícios”.
As mães são assim enxergam virtudes em qualquer gesto, ainda que desastrado.
Quando um piá começa a rabiscar como louco, estragando papéis elas logo soltam: “Vai dar escritor este guri e dos grandes”. Se ele cura um bichinho ou faz um curativo na irmãzinha ela logo vaticina: “Vai ser veterinário ou médico”. E já na medida em que a criança vai crescendo também vão surgindo novas e surpreendentes aptidões.
Se até mãe de urubu enxerga virtude no filho, imagina mãe de deputado? “Meu filho é um estadista, um abnegado, um Ghandi! Se o chamam de ladrão com provas ela logo solta: “Ele é um Robin Wood, tem coração de ouro! Tira dos ricos para distribuir aos pobres”.
A mãe do João Alves, aquele deputado que ficou rico acertando na loteria todas as semanas, jura até hoje que ele era uma pessoa iluminada e de muita sorte e que até já deu um palpitezinho para ela ganhar só na mega-sena.
E neste dia, VIVA AS MÃES, sem elas o que seríamos?