Textículos do Mário Mércio

Mário Mércio
Escritor e colunista do blog

UM BOM EXEMPLO
Escrevo hoje para dizer de minha saudade a um dileto amigo: Jorge Prates, exator e homem de muita festa e, portanto, muitas amizades. Este também era uma pessoa iluminada.
Às vezes é preciso ter nervos de aço para tocar a vida com sobriedade e consciência limpa e a doutrina do amigo Jorge, conhecido por “Chapadão”, vinho feito em Jaguari, que muito gostava, era exigir dele nunca mais do que podia carregar e nem menos do que merecia, mas apenas o suficiente. Ele possuía uma calma impressionante e magnífica, de quem compreende a vida com verdadeira sabedoria.
Quando a loucura do cotidiano lhe permitia tentava passar um pouco do que sabia aos mais novos, cantando, tocando uma viola ou assando uma carne.
Aos mais jovens sempre falava que não deviam trocar o certo pelo duvidoso e que esqueçam a arrogância que só os afasta dos outros. 
Junto dele estava sempre a Sessi, esposa e amiga, que acompanhava todas as suas “loucuras” de atravessar a noite cantando, bebendo e comendo com os amigos músicos. Sessi ficava invariavelmente na cozinha preparando tudo que fosse possível para agradar os amigos. Era gente de todas as matizes, credos e posição social que gostavam da aura do “Chapadão”.
Lembro-me, como se fosse hoje, que foram convidados à padrinhos de casamento em Cacequi e saíram de Triunfo em viagem os dois, como sempre juntos. Em certo trecho, Sessi pediu que entrasse à esquerda, e Jorge questionou que o caminho era seguir reto. Sessi alterou a voz e pediu que dobrasse, pois ela conhecia muito bem aquele caminho. Jorge obedeceu e uma hora depois viram que ela estava errada e voltaram. Chegaram ao casório ainda a tempo e antes de entrar na igreja, Sessi perguntou:-- Jorge, se tu sabias que estavas certo, porque dobraste á esquerda então? –Para não discutir contigo querida –respondeu Jorge com um amoroso sorriso—Mas por que? --Insistiu ela. –Porque entre ter razão ou te ver feliz, eu preferi te ver feliz—ponderou ele amavelmente, segurando sua mão.
Os dois entraram na igreja de mãos, como se aquele fosse o casamento deles.
Este exemplo mostra que a melhor maneira de ganhar uma discussão é evita-la. Por isso, entre querer ter razão e ser feliz, escolha, como o Jorge Chapadão.
Tenho certeza que assim a sua vida será cada vez melhor!