Palavras Soltas

Cecília de Assis Brasil Petrarca Figueiredo
Colunista do site

No meio a tantos manifestos, arrisco-me a um manifesto contra o tempo...
Este tempo sempre correndo contra o tempo, este tempo infrator que anda muito além da velocidade admitida; este tempo corrupto que se aproveita da nossa distração para levar vantagem e se apropriar das nossas vivências, levando-as para sempre sem nos permitir fazer nada para impedi-lo. Tira-nos s até mesmo o momento ainda não acabado de viver. Rouba-nos os dias, as noites e as pessoas que amamos, arranca-nos o sorriso, depreda o nosso coração, fere e maltrata nossa alma que só consegue sentir a falta daquilo que se foi com o tempo, nossos eternos momentos que se perderam na distância que o tempo nos impõe. 
Que seja este um manifesto contra o tempo...
Este tempo sempre em contra-tempo, com a teimosia de não ceder e nem parar, com a persistente mania de desafiar nossos limites, nos rasgando com a dor da saudade. Sempre desequilibrando a nossa (in)sanidade e com esta forma camuflada de desabitar e esvaziar a nossa vida, carregando de nós nossos amores. 
Que seja este o meu manifesto contra este tempo que nos deixa à deriva e que de tão convincente, anestesia a nossa consciência, nos devolvendo covardemente a calma nos deixando outra vez felizes enquanto o sentir passa a ser lembrança. E nos faz voltar a ter a inabalável esperança...
Só para depois nos tirar tudo de novo...
Que fique aqui o meu manifesto contra o tempo que leva todo o nosso tempo, sem nos dar nem tempo de pedir mais um tempo...