Textículos do Mário Mercio

Mário Mercio

Escritor, aposentado da SUSEPE e colunista do site

FILÓSOFOS SABEM DAS COISAS...

Em ano eleitoral é bom lembrar o texto, “O Analfabeto Político” de Bertolt Brecht: o pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe o custo de vida, o preço do feijão, do arroz, da batata e nem da carne, ignora o aluguel e o preço dos remédios, não sabe e nem ouviu falar que isso tudo depende da vontade política dos governantes.
O analfabeto político é tão burro que se orgulha e ainda estufa o peito dizendo que odeia política. Este imbecil alienado não sabe que, da sua ignorância política é que nasce a prostituta, o mendigo, o pilantra corrupto e o lacaio das empresas nacionais e multinacionais, bajuladores do capital estrangeiro.
Em épocas passadas, os estudantes se achavam o tal sendo da esquerda, e ainda há gente assim, mas com a maturidade percebem que há alternativas bem mais interessantes em exercer a sua cidadania.
Recentemente comemorou-se 196 anos do nascimento de Carl Marx, não se pode deixar de considerar que ele foi um pensador e intelectual formidável, apesar de algumas ideias estranhas e contestadas, como todo filósofo que se presta. Ele decodificou o funcionamento do capitalismo, que na época assombrava o mundo, criou uma teoria igualitária que é o socialismo que conhecemos. E imagino cá com meus botões, que foi por isso que seu pensamento foi deturpado por uma esquerda autoritária e ele acabou odiado por um direita débil. São ideias minhas. Pois as suas teorias sociais e econômicas revolucionaram as ciências humanas, na mesma magnitude que as teorias de Freud revolucionaram o pensamento humano, com a invenção da psicanálise, a teoria evolucionista de Darwin revolucionou a biologia e a de Einstein revolucionou a física. 
O pensamento de Marx continua original em sua complexidade, nos garante o sociólogo e psicanalista Jackson C.Buonocore, sendo um instrumento para a compreensão da realidade política do passado e de hoje. Para seus críticos broncos prestam-se queixas, para os farsantes que deturparam suas teorias ao chegarem ao poder, protestam-se com denúncias e para seus estudiosos e simpatizantes dedicam-se a homenagens. 
Hoje já vemos pessoas desprovidas de bom senso propagandear candidatos a cargos públicos tentando convencer eleitores menos avisados e, mormente apolíticos, com velhas estratégias de marketing, onde vendem candidatos como se fossem bananas, ou sabonete, diz o psicanalista, tentado desmoralizar adversários nas redes sociais, transformando a corrida política a cargos bem pagos, como a uma corrida em cancha reta de cavalos bem alimentados. 
Acho ainda que a melhor forma de exercer a democracia na plenitude é respeitar o eleitor, fortalecendo o espírito republicano, com respeito aos seus direitos, apresentando projetos, ideias que melhorem a vida das pessoas e economia nos gastos públicos em todos os setores.