Textículos do Mário Mercio

Mário Mércio
Escritor, agente da SUSEPE aposentado 
e colunista do site

OS TRÊS BEIJINHOS

Era um depois dois e mais depois foram três beijinhos. Disse ERA, porque agora voltou a estaca UM novamente, nos diz a pesquisa da jornalista Laura Píffero. Sim 43 anos, pois tudo iniciou no início da década de 60. Nós gaúchos estamos deixando para trás este costume: “mais um pra casar”. Hábitos rotineiros nas relações interpessoais estão sendo abandonados, estão ficando só na lembrança e das piadas. Não se vê mais os três beijinhos e também a situação incômoda de ver a pessoa sair de cena antes do terceiro beijo e logo voltar para dá-lo já que o outro ou outra se predispôs a dá-lo, e a deixa: “Este é para casar viu?”. A jornalista, na pesquisa, cita que este carinho todo é fruto de nossa cultura indígena e também africana que aproxima as pessoas. Porém hoje está mais afável e menos pudica. Um beijo e um abraço resolve mais e um abraço com uma esfregada de mãos nas costas fica mais carinhoso. Na França, parte da Argentina, na Bélgica e entre os russos é comum o beijo no rosto, seguido do abraço fraternal. Assim como nos países árabes e judeus, pois esta é a cultura destes povos.
Os três beijos estavam virando formalidade e deixou de ser afetivo, por isso acabou caindo em desuso. As formalidades são obrigações e a afetividade é sentimento. Uma difere muito da outra. Hoje preferimos o aperto de mão, o olhar carinhoso e o sorriso candente que fala muito a nosso semelhante. As mulheres é que gostam mais do beijo, pois lhe empresta uma feminilidade mais acentuada, educada e romântica. Com o advento da internet as relações acabaram mudando de endereço, é comum na mesma casa se saudarem aniversários e datas pela internet e adeus aos beijinhos românticos e poéticos. A relação virtual virou sinônimo relacional para muitos e o toque virou quase o insuportável. Este distanciamento entre as pessoas acaba sendo um termômetro da dificuldade de expressar os sentimentos que as pessoas encontram hoje em dia. O romantismo acabou, isso é um fato. O que não é nada bom, pois nós os mais velhos sentimos esta falta de amor natural, afeto direto e relação interpessoal.
Há uma falta das pessoas se confortarem mais, abraçar mais, beijar mais, o que é um elemento essencial à alma humana. 
Estamos recebendo cultura de outras culturas e acabamos nos esquecendo que somos um país receptivo, aqui temos todas as raças e precisamos impor a nossa cultura e não ficar aceitando outras. A mídia, a propaganda e a globalização são fenômenos que afetam em todos os âmbitos, como na economia e também na cultura de ver e sentir as coisas. Precisamos estar mais preocupados com o entorno de nós, com nossos semelhantes, vizinhos, parentes e com nossa sociedade e deixar um pouco de lado as outras sociedades que por mais perfeitas e adiantadas são diferentes de nossa cultura. Nossa cultura é nossa raiz, foi aqui que destino ou Deus quis que nascêssemos e é aqui que vamos formar nossos descendentes e continuar nossa raiz.






Os jovens continuam carinhosos a seu jeito, não é uma mudança, mas é uma transformação natural. Assim como a moda dos cabelos, da gravata, dos sapatos, das roupas, tudo muda e acaba voltando ao que era, de modo mais normal e adaptável possível. Aqui nada se perde, tudo se transforma, já nos disseram a centenas de anos...