Os candidatos e o campo

Tarso Francisco Pires Teixeira
Presidente do Sindicato Rural de São Gabriel
Vice Presidente da Farsul

A política brasileira é cada vez mais fisiológica e pragmática, o desencanto da população mais que se justifica. No entanto, embora não pareça, estamos em plena campanha eleitoral, numa eleição disputada que terá onze candidatos à Presidência da República, sem falar na infinidade de pretendentes aos governos estaduais e aos assentos no Senado e Câmara Federal e nas assembléias legislativas dos Estados.
Para concorrer, cada candidato a presidente tem que registrar um programa de governo junto à Justiça Eleitoral. Se vivêssemos em um país mais sério, estes documentos seriam a base do debate na imprensa. Mas por aqui, ninguém liga muito para o que está escrito nestas diretrizes. Mesmo assim, olhar para estes planos é interessante, pois mal ou bem, as equipes dos candidatos tiveram que gastar um tempo para colocar no papel o que eles pensam ser a orientação de cada partido. Por isso, dei uma olhada no que o Plano de Governo dos principais candidatos à presidência nos diz sobre o Agronegócio. Os planos estão disponíveis para leitura em um site da Justiça (http://divulgacand2014.tse.jus.br/)
O plano de governo da presidente Dilma à reeleição, de forma surpreendente, não propõe absolutamente nada de novo para o setor rural. As únicas duas menções do seu documento de propostas ao agronegócio, são referências às super-safras registradas em seu governo e ao aumento do crédito. De forma tímida, fala em redução dos custos de produção através de políticas de inovação, sem clarear de que forma estas políticas seriam efetivadas. 
Aécio Neves fala em uma “Política agrícola voltada para o aproveitamento das oportunidades oferecidas pelo aumento do consumo interno”, e propõe a realização de PPPs para os investimentos em infra-estrutura e logística, como estradas, portos e armazéns, melhoria dos recursos para a defesa sanitária, e a criação de um “Simples Agrícola”, para estimular a adesão do produtor rural ao CNPJ.
A candidatura de Eduardo Campos, impregnada pelo ambientalismo radical de sua vice Marina Silva, tortura a gramática para dizer que “a consolidação de um modelo de ocupação de grandes áreas e concentração em poucas culturas, através do agronegócio, propicia ganhos de produtividade consistentes, mas gera impactos de ordem social e ambiental que precisam ser superados para tornar o segmento efetivamente sustentável”. Em marinês, isso significa encrenca.
Há dezenas de outras candidaturas. O Pastor Everaldo, do PSC, fala abertamente em “reformar e regovar todas as leis que restringem o direito da propriedade privada”, enquanto Luciana Genro do PSOL defende o “fim da aliança com o agronegócio”, a quem acusa de ser “fonte de todos os conflitos rurais no país”. Vale a pena a leitura. Ao menos, quem votar, votará sabendo.