Carta aberta ao Novo Governador

Tarso Francisco Pires Teixeira
Presidente do Sindicato Rural de São Gabriel e Vice 
Presidente da Farsul

Excelentíssimo Governador Sartori:
Antes de qualquer coisa, meus cumprimentos pela inquestionável vitória. O povo riograndense lhe conferiu uma esmagadora demonstração de confiança na mensagem serena e pró-ativa apresentada pelo senhor durante a campanha eleitoral. Mas, passados mais de vinte dias das eleições, a euforia da vitória vai dando lugar a uma justa expectativa. Imagino as pressões que desde já o senhor tem de enfrentar com habilidade, e confesso, não queria estar na sua pele.
Ouso, no entanto, lhe dirigir algumas palavras como presidente do Sindicato Rural de São Gabriel, município que, como tantos do Estado, possui no agronegócio sua principal atividade econômica. Graças ao investimento do produtor rural em tecnologia, tanto na lavoura quanto na pecuária, muitos municípios reagiram nos últimos cinco anos, e a economia do Estado como um todo teve bom desempenho.
Mas este crescimento está hoje sob ameaça de estrangulação por conta de inércia em ações que cabem ao governo. O combate ao abigeato, por exemplo, é uma área para a qual é necessário dedicar maior atenção da pasta de Segurança. Quadrilhas armadas invadem propriedades do interior levando dezenas de animais de uma só vez. A ovinocultura é o setor que mais sofre. Cerca de R$ 60 milhões em ICMS deixam de ingressar a cada ano nos tributos do Estado por causa do abigeato, segundo dados da própria Secretaria Estadual de Agricultura.
Ao assumir o cargo, creio que o senhor se surpreenderá com a deterioração de instituições que deveriam incrementar a pesquisa agropecuária, como o Instituto Veterinário Desidério Finamor. Peça à sua equipe para que colha relatos nos municípios, sobre o sucateamento das sedes da Fepagro e inspetorias veterinárias pelo Estado afora. Sem seu trabalho, o combate a pragas como o Javali, o capim anoni, o arroz vermelho e a helicoverpa armigera no soja, ficam terrivelmente prejudicados.
Há que se estudar, no devido tempo e no ritmo imposto pela lógica política, um mecanismo que minimize os efeitos negativos do Salário Mínimo Regional na capacidade empregadora das empresas rurais e urbanas. A disparidade com o salário nacional é maléfica principalmente para os trabalhadores, pois a capacidade de gerar novos empregos é consideravelmente reduzida.
É importante avançar também na busca de um novo status sanitário para o Rio Grande, como Estado livre de aftosa sem vacinação, a exemplo de Santa Catarina, o que permitirá aos rebanhos gaúchos conquistar mercados novos, mais exigentes, porém mais rentáveis. 
Sabemos que a prioridade das prioridades é a recuperação das finanças do Estado. Justamente por isso, o apoio estrutural ao setor da economia gaúcha que mais cresce, contribuirá para combater mais rapidamente a crise.
Sempre que convocado a ajudar o Estado, o campo sempre atendeu à altura. O campo continuará sendo parceiro da tarefa de reconstruir o Continente de São Pedro. 
Torcemos pelo senhor.