Palavras Soltas

Cecília de Assis Brasil Petrarca Figueiredo
Colunista do site

Que ano duro, danado de duro...
Porém um ano de grandes lições, ensinamentos que carregarei pelo resto de minha existência, porém de perdas ele pouco ou nada me ensinou, eu já as conhecia de longos outros anos já passados .
Mas as dores, estas amadureceram, foram compreendidas e assimiladas dentro de mim e por causa delas e das ausências que sempre se acumulam, eu me tornei mais generosa e recebi mais generosidade ainda!
Neste ano, tão infinito de tudo, encontrei velhos e fiz novos amigos de uma vida, cuidei e fui cuidada por estranhos que se tornaram minha família.
Percebi Deus ao meu lado olhando sempre por mim e pelos meus que estão aqui. E Ele me fez ver e ter a mais absoluta certeza de que os demais, os que partiram, eu não os perdi, apenas deixei de vê-los...
Que ano duro, danado de duro... mas foi transitando nele que me senti livre e percebi ser este, o mais incrível e amedrontador dos sentimentos.
Por vezes errei e me perdi, me perdi porque foi preciso para que eu me reconstruísse forte e segura de quem sou eu. Me desiludi muitas vezes, chorei, magoei e fui magoada, mas também fui amada e amei, amei de verdade, aquele amor muito além das paixões…
Me descobri e fui surpreendida pela necessidade de me reciclar, me vi envolvida na dor de me abandonar e fazer voltar outra pessoa para o lugar onde habitavam meus antigos vícios e medos; e surpreender aos que esperam atitudes e posturas daquela que eu não era mais eu.
Que ano danado de duro... ninguém foi poupado de nadica de nada, inúmeros corações foram partidos, atropelados, esfacelados; mas para mim particularmente, também apareceram e me agasalharam colos amigos cheios de palavras sábias, graças a uma das minhas maiores mudanças: agora permito que os outros me consolem. 
Pouco a pouco, entre quedas, esfolados e cicatrizes o ano foi passando e eu fui me adaptando... tudo se tornou meu de novo e fui me sentindo em casa novamente, dentro e fora de mim mesma...
Ainda tem tanto pra fazer, tanto a melhorar, tanto a decidir, tanto a superar…mas logo será verão... e os dias serão ensolarados e trarão suaves aromas de vida por onde viajam meus eus ...
O sol cai calmamente no poente e me sinto finalmente feliz e confiante... Espero sem medo e sem mágoas as festas natalinas e o despertar de um novo ano, que espero, nos brinde com mais alegria e menos, bem menos lições duras de vida...
Mas a vida é quem sabe o que me cabe e a ela entrego meus anos..
E mesmo que eles sejam danados de duros, sempre acabarão em verões...
E logo será um novo verão...