Prefeito diz que houve "linchamento político"

Antonello diz ter certeza que a
justiça vai reverter
No fim da tarde desta quarta-feira, logo após receber a confirmação da cassação ao acompanhar a sessão pelo rádio na casa de um parente no interior do município, o prefeito de Rosário do Sul Luís Henrique Antonello (PSB) conversou por telefone com o Diário. Ele afirmou que ficou profundamente entristecido com o impeachment aprovado por 12 dos 13 vereadores do município.
- Infelizmente fui vítima de um linchamento político. Eles me julgaram com base em testemunhas de acusação, sem ouvir Ministério Público ou o Tribunal de Contas do Estado. Já esperava, mas tenho certeza que a Justiça vai reverter.
O prefeito disse que vai receber a comunicação oficial do resultado e não deve voltar à prefeitura. No fim da tarde, estava reunido com seus advogados para definir qual o recurso jurídico seria o mais indicado no caso.
No seu lugar, deve assumir a atual vice-prefeita Zilase Jobim Rossignolo (PTB), 40 anos. Ela é filha da ex-deputada estadual Regina Rossignolo e do ex-deputado e prefeito por dois mandatos José Rossignolo.

O único que votou contra
O responsável pelo único voto contra a cassação de Antonello, que sofreu impeachment em uma votação de 12 dos 13 votos na sessão extraordinária desta quarta-feira, é do vereador Eduardo Lustra Ribeiro (PDT).
Ele foi, também, o único a deixar o prédio da Câmara de Vereadores pela porta da frente. E foi ovacionado pela multidão que se aglomera na Praça Borges de Medeiros. Os manifestantes, na sua maioria favoráveis ao prefeito, ergueram o vereador e festejaram seu voto.
- Como não tenho certeza das irregularidades, votei contra. Havendo dúvida, não tenho o direito de julgar, afirmou Ribeiro. Ele afirma, ainda, que faltou mais subsídios para a decisão.
- Se o Tribunal de Contas do Estado e a promotoria tivessem enviado relatórios apontando as irregularidades, talvez tivesse votado a favor (da cassação), explica ele.

Com a consciência limpa
A presidente da Câmara, Cíntia Souza (PDT) afirma estar com a consciência tranquila em relação a decisão dos vereadores.
- Rosário do Sul vive um momento político único. Os vereadores tiveram um trabalho árduo desde a Comissão Parlamentar Processante. No momento que votamos o relatório, ficou o voto de cada representante da população. Venceu a vontade da maioria, sentenciou a vereadora garantindo a certeza de que o trabalho foi conduzido com imparcialidade.
Ao fim da sessão, a Brigada Militar foi chamada para escoltar todos os ocupantes da Câmara para fora do prédio em segurança. Uma tropa de choque da BM esteve posicionada isolando o edifício deste o início da sessão, por volta do meio-dia desta quarta-feira.