Textículos do Mário Mércio

Mário Mércio
Escritor e colunista do site

QUE PAÍS É ESSE?

É próprio do ser humano procurar alinhar a sua visão para tudo que julga necessário para sua vida. É um desejo ardoroso, mormente em jovens que procuram uma profissão, uma faculdade que se assemelhe com alguma profissão de um ídolo seu, mais comum as do pai, avô ou tios que alcançaram sucesso. Buscamos no seio da família a realização plena, já calcada num sucesso.
A problemática neste alinhamento profissional é que, por vezes, esquecemo-nos de vasculhar o sofrimento e procurar a dor para criar este impulso. Nos dias atuais o ensino superior é muito sacrificante e puxado, muito mais que a dezenas de anos passados.
Nosso olhar fica insistindo em nos manter virgem, inalterado em nosso desejo e sonho, como se tudo fosse muito fácil, sentando em um banco universitário achamos que se resolve tudo e sabemos que muitos alunos não completam aquilo que começaram e pior, quando completam encontram dificuldade de se realizarem naquilo que se propuseram por carência de vagas no mercado de trabalho. Dai o serviço público, conseguido após estafantes cursinhos, se afigura como uma tangente lógica. Mas até ai, os anos vão passando e os gastos na preparação para enfrentar a concorrência são enormes. Há 40 anos ser agente penitenciário ou policial civil exigia a 4ª. Série do ensino fundamental e os concursos não eram muito exigidos com poucos candidatos e parcos conhecimentos técnicos e didáticos. Hoje se exige curso superior para custodiar apenados, abrir e trancafiar presos e pasmem, os concursos são muitos exigidos em conhecimentos gerais e legislação pública e candidatos então nem se fala. Severos exames médicos e pesquisa de vida pregressa. Parabéns a aqueles que conseguem um lugar ao sol, pois funcionário público é estabilizado após o segundo ano e aposenta-se com salário bem melhor que o resto da população. Uma honraria, um prêmio, sem uma explicação lógica e coerente, mas uma enorme vantagem, inclusive na assistência médica, funeral e familiar, inclusive aos netos e pais, quando necessitados.
Ser funcionário público é sonhar mais alto do que se pensa, pois bem cedo, por favor, de leis benignas e suspeitas também, aposenta-se com 50 anos ou um pouco mais e mulheres cinco anos antes, através de um corporativismo exultante e permanente.
E as profissões se misturam em serviços alheios a ela. Vê-se policial ou agente, engenheiro, advogado, enfermeiro, farmacêutico, economista, e por ai afora, até médico e ficamos a vislumbrar que país é esse?