Textículos do Mário Mércio

Mário Mércio
Escritor e colunista do site

CRIME CONTRA A HUMANIDADE.

VEJO ENQUETE EM ALGUNS GRUPOS AQUI pesquisando se aceitam ou não imagens bárbaras de decapitações, etc. Acho que já “viralizou”. A decapitação do americano nas redes é uma barbárie sem tamanho, assim como foi os restos do rescaldo do avião que vitimou Eduardo Campos e anos atrás os do Mamonas . Tem gente que para justificar as imagens dizem que não foram eles os causadores e que é um exagero a crítica, para tentar dormir bem, mas a verdade é que este hábito de compartilhar imagens mórbidas em redes sociais, que por sinal, não é nova, diz muito mais de nós do que propriamente dos executores.
O crime, o acidente, aconteceu em outro contexto e em outro espaço, lugar, em circunstâncias sem dúvida lamentáveis, mas que estão, fundamentalmente, apartadas de nós. Já o vídeo, esta arma ensanguentada tornada acessível pelo uso indevido e nada benigno de nossas tecnologias, está aqui, concretamente presente, palpável. Um crime que se renova a cada vez que abrimos nossa tela, apertamos um teclado e enviamos e depois aguardamos ansiosos as curtidas e comentários...Sim, ainda desejamos comentários.. Pasmem!
Tem gente que coleciona este tipo de postagem com fascínio e deslumbramento e comentam com sordidez o que viram- É o fim!
Se atirarmos uma pedra num lago, veremos que uma marolinha se desenvolve rapidamente para todos os lados. A marola não é mais a pedra jogada e caída afundando em si, ela é a vibração produzida pelo movimento inicial da pedra cair na água e ai tem a memória do impacto alastrando-se por outro meio. 
Assim são os vídeos. Ele pula pelos smartphones, tablete e PCs transmitindo um eco silencioso da brutalidade original, o crime lá atrás. O detalhe é que o meio, no lugar da água, somos nós. Basta não haver meio para não haver onda e nem marola.
Se não assistirmos, e nem compartilharmos essas barbáries, o eco do crime morreria e ele voltaria ao vácuo inumano em que merecia estar. Mas não.
Essa é uma reflexão amarga sobre aquilo em que nos tornamos, diz o jornalista André Moraes.
Será que nos tornamos tão ensimesmados, tão insensíveis que não somos capazes de rejeitar atrocidades? Será que precisamos do sofrimento alheio para nos divertir? Para puxar assunto, para ganhar likes de compartilhamento?
Assim estaremos esquartejando on-line o nosso próprio senso moral e pior, é que tem gente que vai mesmo curtir essa mutilação e nem perderá por nada a próxima decapitação cometida por este grupo de radicais islâmicos.