Opinião: Deuses não matam, nem aterrorizam

Rossyr Berny
Jornalista, Escritor e Poeta
A manhã de Paris conta seus mortos

Cheiros de pólvora e carnes fuziladas 
Buscava eu a Rue Arrondissement
para o primeiro café do passeio
O terror chegou antes de meus passos
A manhã francesa conta seus mártires
Doze mortos instantâneos
Feridos se somam às perdas trágicas
Deuses não matam nem aterrorizam
Mas a estupidez e a intolerância carnificinam
Interpretam leis aos seus cruéis interesses
À tarde revisito os Champs-Élysées
Pelo Arco do Triunfo cruza o coração crispado
Pesa o pranto pelos corpos abatidos
Varados por balas criminosas
No Louvre encontro em prantos a Mona Lisa
Rodin cobre de negro O Pensador e O Beijo
Necessárias orações aquecem a Notre Dame
Vista do alto da Torre Eiffel
Paris sepulta em multidões seus mártires
O amor pela liberdade de expressar-se
calou vozes fortes
Porque a França se manifesta livremente
sacrificaram Charbonnier, Cabut, Wolinski, Tignous
Agora sou voz e braços somados às multidões
reunidas na Place de la Republiquee 
Mais fortes que o alerta máximo anti-terror
Para que deuses não matem nem aterrorizem
continue a França a festa da liberdade