Opinião:

Tarso Francisco Pires Teixeira
Presidente do Sindicato Rural de São Gabriel
Vice Presidente da Farsul

Feliz governo velho?
Desejar Feliz Ano Novo faz parte do bom protocolo dessa época, e para quem acredita na força dos desejos e da vontade para mudar situações negativas, não custa tentar. Por isso, aos leitores, antes de qualquer coisa, feliz 2015. Mas se depender do que acontece nas esferas de decisão do governo, o ano pode se tornar inviável antes mesmo de começar. Janeiro começou com as posses da presidente reeleita da República e dos governadores dos Estados, e as medidas que pretendiam apontar na direção do corte de gastos, apenas conseguiram demonstrar desencontro, trapalhada e falta de rumo.
Não durou nem mesmo um dia a lua-de-mel do novo governo federal. A fala do novo ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, apontando a mudança nos critérios de reajuste do salário mínimo como uma de suas metas, já mostrou onde o governo pretende fazer “cortes”: não nos gastos com nomeações ou cargos públicos para os companheiros de partido, mas sim no ganho real dos assalariados. A fala foi considerada “inoportuna” por Dilma, que desautorizou publicamente o seu ministro, sinalizando a total falta de autonomia dos seus agentes públicos. A medida anunciada era ruim, mas pior ainda foi mostrar a incapacidade de governar o próprio governo. Como resultado, a primeira segunda-feira do ano já mostra o dólar a R$ 2,70 no índice Bovespa e os papéis da Petrobras sendo negociados a menos de R$ 9,00 – o mais baixo índice da história. 
O novo ministério também não foi inteiramente digerido pela base. Indignado pelo fato de o PT ter vendido à opinião pública a idéia de que se rendeu ao fisiologismo do PMDB por mais ministérios, os senadores peemedebistas anunciaram o fim do “apoio irrestrito” ao governo. Em politiquês, isso significa fazer corpo mole nas futuras votações importantes até ser melhor contemplado com mais cargos. 
Cá no Estado, o novo governador começa a mostrar o quadro agudo da crise econômica do Rio Grande da pior forma – uma moratória nas dívidas. Sinalizar com a insegurança jurídica de contratos não parece um bom começo para quem precisará, ali na frente, negociar financiamentos para novos investimentos. Mas o troféu de hipocrisia do mês, dificilmente sairá das mãos do ex-governador, que um dia após entregar o cargo já envergava a postura de militante político, criticando o novo governo pelos caminhos que escolheu para solucionar uma crise da qual é responsável direto pelos saques ao caixa único. O gaúcho tem consciência da gravidade do cenário, mas o Estado precisará de uma liderança que não se limite a culpar a má herança recebida ao longo dos próximos quatro anos. No âmbito nacional, pior ainda é a situação de Dilma, que não tem a quem culpar – a não ser o FHC, que já deixou seu mandato há doze anos. 
Que o ano de 2015 seja capaz de desafiar os atuais cenários. Mas a depender do ambiente macro-econômico, político e ético, convém se preparar para tempos trabalhosos.