Textículos do Mário Mércio

Mário Mércio
Escritor e colunista do site

A PRAIA NOSSA DE CADA DIA

A gente vai à praia sonhando com um tempo imaginário, repleto de fantasias, e lá encontramos outro mundo, onde tudo é diferente, com suas inquietações e mazelas.
Um desembargador amigo levou suas cadeiras praianas e acomodou seus glúteos, brincando com os netos festivamente, quando dois advogados se acercaram para um bate papo incomodo e inoportuno para aquele momento. Assuntos do Tribunal. Ninguém merece!
Um cara vendendo queijo queimado na hora batia uma tábua que inervava até Jó. Uma buzina estridente anunciava picolés na área. Uma bola suja de areia bate nos banhistas que falam animadamente. Um Sky surf sobrevoa nossas cabeças sem que haja alguém que previna-os que aquele lugar é dos banhistas e não desportistas. Um carrinho cheio de roupa aglutina mulheres sedentas por novidades, tudo na nossa frente tirando-nos a beleza das ondas.
E as sujeiras que crianças mal educadas jogam na areia sobre a complacência dos pais que fazem o mesmo?
Um vento terrível e as pessoas teimam e manter seus guarda-sóis erguidos com perigo aos seus circunstantes.
De repente um pescador fajuto com seus filhos pega peixinhos em uma rede e põe num balde e os animalzinhos vão morrendo por asfixia e depois jogados fora, sem nenhuma consciência ambiental e ecológica.
Sem falar que quando você encontra um bom lugar e acomoda seu cansado glúteo na pesada cadeirinha que arrastou por quadras, vem um bosta e põe a dele bem na sua frente, com mais lugares ao lado.
Uns conversam amenidades, outros discutem futebol ou política e até de religião como o que falassem era o certo. Celular então todo mundo plugado, não dão descanso ao aparelhinho nem ali.
De repente vem um barulhão e centenas de cavalos e cavalarianos invadem a nossa praia, PMs pedindo espaço na areia para os bichamos bostearem e mijarem em nossa areia e fica aquele cheiro insano por dias ali, tudo em nome da tradição. Uma família carioca e outra baiana saíram da praia com nojo.
Você pode dizer que sou um chato, mas a lógica da praia, diz o promotor Eugênio Amorim, é a mesma do trânsito e a mesma do dia a dia que vivemos. Cheia de pessoas sem noção e que não respeitam o espaço dos outros. São pessoas que vivem em um mundo só delas, esquecendo-se que conviver é estar sempre atento ao incomodo alheio.
E isso me preocupa. Essa dos cavalarianos, tentei impedir, mas exibiram ordem judicial e da prefeitura.
Ao leitor que se identificou nessa postagem, fica meu abraço e minha esperança que um dia alguém possa lutar para que tudo seja mais tranquilo, que gastemos nossas economias em lugar verdadeiramente aprazível e seguro.