Textículos do Mário Mercio

Mário Mércio
Escritor e colunista do site

FALANDO SÉRIO... 
Considerando o fracasso nacional de 1/4 dos estudantes do país que zeraram sua redação no ENEM, que sabemos de antemão que não foi só culpa deles, mas de um ensino deficiente, relapso e inoperante, sem acompanhar a evolução das tecnologias que o mundo exibe a cada dia. O professor precisa, mais ainda; deve, estar atualizado, assim como todos os profissionais, médicos, advogados, administradores, economistas, farmacêuticos etc, pois o mundo não para.

Posso parecer saudosista; confesso que sinto saudades do tempo em que via meus filhos lendo atirados num sofá na sala e perguntando ou mesmo comentando entusiasmados o que liam, adoçando assim, a cumplicidade de minha imaginação.
Eram comentários talvez ingênuos, mas, contudo criativos e atraentes e não foi surpresa quando um deles logrou o primeiro lugar no vestibular em Pelotas. Lembro-me muito bem, com que volúpia eles se dedicavam a literatura, matemática, ciências e idiomas. Hoje dois deles falam 4 idiomas e entendem mais outros 3 perfeitamente, morando e trabalhando há 14 anos em Montreal e viajando pelo mundo nas horas de laser, com 34 e 45 anos de idade apenas.
Mas de uns tempos para cá a leitura perdeu terreno para o campo do entretenimento e leitura que “entretia não entrete mais “.
Agora vivemos a geração dos smartphone e em consequência direta, as relações interpessoais, alterando, inclusive, a própria relação familiar. Os pais que ajudavam, agora foram substituídos pelo eficiente google e os pais passaram a ser um “zero à esquerda na relação”, aqueles que só sobem coisas ultrapassadas e que não interessam para mais nada, a não ser manter esse sistema ativo, pagando as contas.
O problema, volto a reclamar, é que estão consumindo coisas prontas, sem exercitarem seu potencial e criação e sem o acompanhamento da escola ou de um professor plenamente habilitado que poderia separar o “joio do trigo” e legitimar o conteúdo a ser assimilado— garante o prof. Anildo Martins da Silva.
Por esse motivo não fiquei admirado com as notas zero do ENEM. Um tempo em que as escolas migram para as telas coloridas em qualquer hora e local, com a maior facilidade apenas digitando.
Diante disso e sendo irreversível, está atrasada a educação que deve migrar urgentemente para este novo paradigma educacional, explorar bem o que serve e descartar o inútil que é jogado nas cabecinhas desavisadas e despreparadas de nossos jovens.
E está a tempo ainda de se buscar um maior engajamento dos jovens na literatura e na gramática, que afinal são o que cimentam o caminho para quem quiser mudar de patamar na vida, assim como meus filhos, que me dão hoje este tremendo orgulho e são verdadeiros cidadãos do mundo.