O Arroz e o Gado: Perspectivas e Desafios

Tarso Francisco Pires Teixeira 
Presidente do Sindicato Rural de São Gabriel Vice Presidente da Farsul

A crise econômica, tal e qual a lei da gravidade, é um fato. O cenário recessivo tende a se agravar em todos os setores da economia, e por enquanto, o único setor que ainda respira possibilidades de crescimento é o agronegócio – segmento econômico que, mesmo nos anos anteriores à crise, já era o que sustentava o crescimento do PIB e da economia nacional como um todo. No Rio Grande do Sul, os bons resultados do soja ainda asseguram um bom desempenho no campo, mas uma economia dinâmica precisa ter soluções criativas para todas as suas cadeias produtivas – e isso inclui atividades mais tradicionais, como a pecuária e a orizicultura, que enfrentam importantes desafios.
O Arroz, por exemplo, vive um drama à parte. Enquanto praticamente todos os preços crescem, o do arroz diminui, estrangulando a capacidade de custeio e de endividamento do produtor. Os preços praticados pelo mercado nem de longe compensam o custo de produção. As sucessivas prorrogações de financiamentos inflacionaram o custo financeiro, e os novos aumentos de insumos – luz, óleo, herbicidas, adubo, etc – estão ameaçando a lavoura, sob um silêncio quase surpreendente das representações que falam em seu nome.
A pecuária, apesar dos bons índices das últimas feiras de outono no Interior do Estado, precisará urgentemente prospectar novos mercados, em vista da forte diminuição do mercado interno prevista para os próximos meses, como resultado da crise econômica. Uma posição seria transformar, de forma técnica e segura, o Rio Grande do Sul em zona livre de aftosa sem vacinação, a exemplo de Santa Catarina, que tem esse status sanitário desde 2007, e do Paraná, que fará sua última vacinação neste mês de maio. Há riscos de o vírus reingressar nas fronteiras? Sim, mas o risco é inerente a toda e qualquer atividade empresarial, e para ganhar novos mercados é preciso ter ousadia. Ademais, toda a estrutura técnica que é necessária para manter a vacinação pode ser redirecionada para vigiar as fronteiras. É preciso ter a coragem de defender os interesses do produtor, e enfrentar a poderosa indústria de vacinas, que em vista da obrigatoriedade da vacinação contra aftosa, cobra preços espantosos por rebanho, diferente de vacinas não-obrigatórias, como a do carbúnculo.
Tanto na questão do arroz como da bovinocultura, os desafios passam por tomar decisões e pela unidade dos produtores. Mas adversidades só são superadas com coragem. Caso contrário, nos próximos meses teremos um cenário bastante conhecido: muita lamúria, e pouca resolução.