A Hipocrisia Ambiental dos nossos dias

Tarso Francisco Pires Teixeira
Presidente do Sindicato Rural de São Gabriel
Vice Presidente da Farsul

O noticiário televisivo desta semana trazia uma informação assustadora: por conta do volume de chuvas no Sul e Sudeste do Brasil nos últimos dias, o volume de água trouxe á tona o lixo no fundo do Rio Tietê, cujas águas ficaram carregadas de uma densa espuma, proveniente de resíduos tóxicos,e uma coloração preta, adequada ao estado fúnebre de um rio morto. Com certeza, este é um exemplo eloqüente de descaso ambiental, e nem é preciso ir tão longe para ver outros. Basta passar perto do Arroio Dilúvio, em Porto Alegre, ou então em qualquer cidade de porte médio do nosso Interior gaúcho, onde a imensa maioria do esgoto urbano é despejado in natura nos rios e mananciais de água. 
Mas apesar disso, talvez para estranheza sua, leitor, a legislação ambiental muito pouco pode fazer a respeito. O Código Florestal, cujo novo texto pautou os debates no Congresso Nacional nos últimos anos, preocupa-se muito com as propriedades rurais, mas sua aplicação não alcança as zonas urbanas. E isso que digo, é confirmado por grandes juristas e intérpretes do Direito, especialistas na hermenêutica legal (a ciência da interpretação das leis). 
A pressão das organizações ambientalistas, desde sempre, tem se orientado para apresentar o agronegócio, e não o crescimento desordenado das grandes cidades, como o verdadeiro inimigo do meio ambiente. Por uma destas questões que a lógica não explica, no Brasil existem mais ONGs ambientalistas na Amazônia e em Roraima do que, por exemplo, no Rio de Janeiro. Neste exato momento, produtores rurais de todo o Rio Grande do Sul estão às voltas com o Cadastro Ambiental Rural, enquadramento exigido pelo novo texto do Código Florestal, porque para a lei brasileira, o produtor rural já tem a presunção de culpa – nunca de inocência – pela degradação ambiental. 
O verdadeiro produtor rural, sempre será um aliado – jamais um inimigo – da verdadeira conservação ambiental. Foi o produtor rural gaúcho o principal desbravador de tecnologias ambientalmente sadias, como o plantio direto, a tão criticada transgenia, a rotação de culturas e outras formas racionais de aproveitamento do solo. Mas apesar disso, é o produtor rural o alvo preferido da legislação ambiental brasileira. O fato de uma vaca beber água no leito do rio, exige mais atenção do que o esgoto público das grandes cidades despejado nas nossas fontes de água.
E no país onde a hipocrisia ganha todos os dias status de postura oficial, fala-se de defesa do ambiente a partir de padrões absolutamente distorcidos. 
Viva o Brasil...