Opinião: O caso do bom senso

Tarso Teixeira
Presidente do Sindicato Rural de São Gabriel
Vice Presidente da Farsul 

Que o país atravessa uma grave crise, disso são sabedoras até as pedras do calçamento da Esplanada dos Ministérios. A terceira prisão na biografia de José Dirceu, realizada nesta semana, apenas conferiu um novo ingrediente a um cenário que já andava suficientemente caótico, com recessão galopante, uma articulação política que toma derrota atrás de derrota em um Legislativo. No horizonte, uma Operação Lava-Jato cada dia perigosamente mais próxima do coração político do governo, uma ameaça paira sobre a aprovação das contas da gestão, e como se não bastasse, temos a chegada do Agosto, esse mês que já gerou tantos cachorros loucos na nossa história republicana.
Enquanto isso, uma pergunta que não vem sendo feita vem à mente: quem está governando o governo? A presidenta, com ares de nervosismo e desarticulação cada vez mais evidentes, sai por aí saudando a mandioca, inventando a “mulher sapiens” e prometendo dobrar a meta quando alcançar a meta que não está colocada como meta. 
A atual presidenta, dizem os que convivem mais em Brasília, nunca foi muito dada à articulação política, gostando de definir-se como boa gerente – o que, convenhamos, nem mesmo é verdadeiro. Centralizadora e desconfiada, acostumou-se a contar sempre com o eterno “Nunca Dantes”, que sempre a socorria indo à Capital para visitar aliados e distribuir tapinhas nas costas. Hoje, mais preocupado com a própria pele, Luis Inácio visivelmente jogou sua criatura às feras, deixando-a nas mãos do mesmo PMDB de quem, meses atrás, queria roubar deputados para criar um novo partido aliado, sob a batuta de seu ministro Kassab, fato que, por sinal, produziu as primeiras desavenças com o hoje rebelde Eduardo Cunha. 
No meio disso tudo, o governo perde a autoridade até quando tenta fazer a coisa certa, como no caso em que anunciou o veto aos reajustes do Judiciário, para manter o ajuste fiscal. Agora, quando juízes podem decidir sobre uma eventual rejeição legislativa às contas da mandatária, o ambiente pesa como chumbo, mandando o bom senso para as cucuias, e até aquilo que deveria ser feito pode virar uma trapalhada.
O jornalista norte-americano Boake Carter um dia afirmou que, “em tempos de guerra, a primeira vítima é a verdade”. Neste nosso Brasil atual, de tantas guerras entre corruptos e corruptores, coxinhas e petralhas, sujos e mal lavados, a primeira vítima, já defunta e decomposta, é sem dúvida o bom senso.