Governo Municipal é favorável a realização do desfile farroupilha, mas evento só será realizado de acordo com a lei

O Desfile Farroupilha de São Gabriel, um dos maiores do interior do Rio Grande do Sul, continua indefinido. Enquanto as patronagens do CTGs da cidade – apoiadas pela Coordenadoria Tradicionalista Municipal (CTM) – são favoráveis a realização do evento, o Ministério Público Estadual revela a possibilidade de impedir, via judicial, que a atração aconteça no dia 20 de Setembro.
Apedido do promotor de justiça, Frederico Carlos Lang, a Administração Municipal reuniu dirigentes das entidades tradicionalistas para debater o tema. Entre os 18 patrões de CTGs, também estavam representantes da Inspetoria Veterinária, Secretaria Municipal da Saúde, Procuradoria Jurídica do Município e Brigada Militar.
O prefeito Roque Montagner informou que a Administração Municipal é favorável a realização do Desfile Farroupilha, mas garantiu que o Governo irá agir de acordo com a lei. O prefeito alega que o evento é importante é cultura e uma tradição muito forte é paixão e para a economia do Município e vital para o empresariado que depende das vendas de material campeiro (como botas, arrelhos e pilchas). “Trata-se de um evento importante e que não exige grande demanda de investimentos. 
Após duas reuniões, o Ministério Público Estadual ainda não chegou a uma definição. O promotor de justiça admitiu que está reunindo subsídios para embasar uma decisão final e, embora demonstre estar inclinado a cancelar o evento, Frederico Carlos Lang assumiu o compromisso de estudar alternativas que possam viabilizar a realização do Desfile Farroupilha. Uma delas é verificar as razões que fizeram com que a cidade de Porto Alegre confirmasse o desfile. A justificativa dos organizadores da festa, na Capital, poderá servir de justificativa para uma autorização em São Gabriel.
Para o promotor de justiça, a Saúde Pública é a prioridade. Além disso, o MP avalia a questão da falta de efetivo para a fiscalização dos animais – a Inspetoria Veterinária não tem contingente suficiente – e para o policiamento ostensivo, prejudicado com a confirmação de que a Patrulha Montada não poderá ser utilizada.
Tanto a Brigada Militar, representada pelo comandante da Unidade, capitão Anibal Menezes da Silveira, quanto a Inspetoria Veterinária, através da médica veterinária Brunele chaves, não garantiram a segurança total. No que tange a saúde, o problema mesmo é a impossibilidade de fiscalizar e garantir que todos os animais em circulação pela cidade estejam sãos.
O secretário da Saúde, Daniel Ferrony, foi claro: “Existem riscos para a população e para os animais. O exame não imuniza. Ele diz apenas que no momento da coleta o animal não tem a bactéria, mas não garante que ele não seja infectado”.
Uma nova reunião deverá acontecer nos próximos dias, quando o Ministério Público Estadual dará uma definição para o embate. Ao Município, conforme informou o prefeito, cabe apenas procurar atender (dentro do possível) as exigências feitas pelo MP para a realização do evento. Resta saber se os esforços – das entidades e do Governo Municipal – serão suficientes para tranquilizar a Promotoria de Justiça.