Sobre Gerentes e Abismos

Tarso Francisco Pires Teixeira
Presidente do Sindicato Rural de São Gabriel 
Vice Presidente da Farsul

Há coisa de algumas semanas, os portais de notícia da internet tiveram de noticiar a vitória conseguida na Justiça por uma ex-gerente executiva de uma conhecida instituição de crédito, a qual, segundo o que vem sendo divulgado, foi demitida por pressão do governo federal após enviar uma carta onde alertava os clientes da empresa sobre riscos futuros a seus investimentos e à economia como um todo em caso de reeleição da presidente Dilma Rousseff. O texto, informando que a economia estava à beira do abismo fiscal, foi pivô de uma demissão que a Justiça agora considerou como perseguição política a uma profissional que estava fazendo o que se espera de uma executiva financeira: proteger o interesse dos clientes e investidores, com diagnósticos sobre os cenários futuros.
Esta gerente, agora, receberá uma gorda indenização, por ter sido perseguida por outra, a que neste momento tenta “gerenciar” a crise. Aliás, desde os tempos em que foi Chefe da Casa Civil do ex-presidente Lula, Dilma Rousseff sempre quis cultivar uma imagem de “gerentona”, mandona, porém eficiente. No entanto, no caso de Dilma, a realidade não ajuda o seu marketing, pois toda vez que tenta fazer algo para intervir na crise econômica, o resultado consegue ser ainda pior. 
Neste exato momento, além da obsessão compulsiva pela CPMF, o governo anuncia a intenção de tributar as exportações agrícolas – justamente o setor da economia que ainda respira sem ajuda de aparelhos, e que promove os poucos resultados positivos da nossa balança comercial. Aqui ao lado, na Argentina, o novo presidente Maurício Macri fez justamente o contrário, retirando a taxação de exportações imposta por sua antecessora Cristina Kirchner, cortando gastos públicos desnecessários, diminuiu a carga tributária de produtos agrícolas e industriais como forma de combater a recessão e incentivar a produtividade, e o resultado é que já está atraindo mais de R$ 9 bilhões para o país em um curtíssimo tempo de mandato. Aqui, em vez de cortar o gasto público, a única saída que a “gerente” Dilma busca é aumentar impostos. Ora, se a recessão aumenta a cada dia os custos de produção e eleva a inflação, onerar o setor que atrai divisas e recursos para o país com mais impostos não é apenas uma solução draconiana e cruel: é, simplesmente, burrice. 
O abismo fiscal e econômico, previsto pela gerente demitida, continua crescendo. Talvez seja o caso de ela ser chamada para dar conselhos à “gerentona”. É certo que não dará ouvidos, mas sonhar ainda não custa nada. E não paga imposto. 
Por enquanto.