Textículos do Mário Mércio

Mário Mércio
Escritor e colunista do site

A NATUREZA E O ZIKA.

Vivemos numa época em que tudo e todos falam na NATUREZA.
Ela se imiscui na sociedade num todo. Não há sociedade sem respeito à natureza.
Quando nos referimos a ela, pensamos em “ recursos naturais”, “preservação do meio ambiente” e “ecologia”. Não é?
No entanto, falta-nos uma relação mais íntima para uma análise perfeita daquilo que é a natureza num contexto local, pelo menos.
Temos preconceitos distorcidos e pouca compreensão da relação de sociedade com o meio ambiente. Pois vivemos num eterno romance com o mundo animal e vegetal e nos intitulamos “guardiões” até dos segredos das florestas e matas.
Mas, no meu entender. O conceito de natureza e sociedade se exprime essencialmente por uma construção cultural. A ideia de natureza é algo específico de uma dada sociedade, isto é, ela depende da forma como uma sociedade humana vê o mundo natural como sendo “da natureza”.
Penso que na visão do mundo das sociedades (pessoas em geral) o cosmos inclui tanto a sociedade como a natureza que interagem constantemente.
Assim, NATUREZA e SOCIEDADE representam uma oposição que se inter-relacionam através de um processo contínuo de reciprocidade por metáforas e símbolos, mitos e cerimoniais e mesmo comportamentos dos mais cotidianos como resguardos, evitando ou abstendo-se de atividades ligados a estes meios.
Hoje, nem os indígenas são ligados mais a natureza e nem nela estão integrados, pois a prática social da natureza se articula sobre a ideia que uma dada sociedade se faz de si própria e do ambiente que a circunda e de sua intervenção sobre o meio ambiente em que vive. Não vi isso no meio indígena na Paraíba, onde estive por 33 dias de dezembro ajaneiro deste ano e percorri várias aldeias Potiguaras.
Socializar a natureza com humanos, animais e vegetais (seres viventes) inseridos num mesmo contexto, num mesmo ritual, reforçariam os argumentos e os sentimentos de que o homem, que se acha o mais forte, participaria do cosmos, que é a globalização da natureza no sentido mais prático da vida aqui na terra. O ser humano se acha imortal e pouco pensa no futuro do planeta que a cada dia vai acabando, poluindo-se e matando-o...
A proliferação dos mosquitos vem do lixo, do descartável mal guardado e como são milhões de toneladas dia, até o mar se polui, basta viajar de navio e veremos o lixo boiando no mar por dezenas de quilômetros, sem que ninguém tome providências ecológicas.
Lê-se que todos os povos desenvolvem TEORIAS para entender o mundo. Todos têm o desejo de conhecer e classificar seu meio ambiente, mas o que vemos, apenas ordena o caos, sem impor um padrão ao seu povo.
E o Zika e sua trupe está ai, mostrando que falhamos e ainda levamos ao mundo a nossa desgraça.