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A estreia da Coluna "Farol" com Cláudio Moreira

Reverendo Cláudio Moreira

Intrigas e Delações: o que o Caso Feliciano nos ensina

Minha coluna de estréia aqui no Ponto de Vista, (agradecimentos antecipados ao Anderson Almeida pelo convite e pelo desafio), teria várias escolhas óbvias: as eleições municipais, as Olimpíadas a pouco encerradas, e até mesmo os desdobramentos do julgamento do impeachment no Senado, na fase em que as sessões passam a ser comandadas pelo presidente do Supremo Tribunal Federal, e a desfaçatez com que o PT segue acusando a cantilena de golpe, apesar de a própria Suprema Corte coordenar o rito e de a presidente ter decidido que se defenderá em pessoa nos próximos dias. Mas resolvi tratar de um caso que tem implicações diretas em questões que considero fundamentais para a vida em sociedade: o direito à honra, a proteção da reputação, a privacidade pessoal e o caráter público de uma informação. Sim, refiro-me ao caso das recentes acusações de estupro levantadas contra o deputado Marco Feliciano (PSC), o “polêmico” pastor-cantor evangélico que já era alvo preferido dos movimentos feministas e direitos homossexuais antes mesmo da questão. A denúncia foi feita pela auto-intitulada “militante conservadora” Patrícia Lélis, que o acusou de ter tentado beijá-la à força em seu próprio apartamento. Forneceu prints de possíveis conversas à imprensa, depois desmentiu dizendo que Feliciano estava sendo “vítima de um golpe da esquerda”, depois desmentiu o desmentido, e depois passou a desfilar pelos corredores do Congresso com a petista Maria do Rosário e dar entrevistas, sempre animada e sorridente, sustentando a acusação de vítima.
Os jornalões do centro do país babaram de excitação. Finalmente, um direitista pego de calças curtas, e melhor ainda, evangélico! Feliciano passou a ser o pretexto perfeito para definir todos os evangélicos como “moralistas hipócritas”. Tudo parecia bem, até que a história da moça, que já não conseguia se sustentar em pé, começou a desabar. Vídeos demonstraram não somente que o deputado, no dia do alegado estupro, estava em audiência com o ministro do Trabalho, mas também que a jovem exigiu dinheiro para não “abrir a boca”. Agora, de vítima, Patrícia passou a ser investigada por extorsão e grave ameaça. 
Ninguém é obrigado a gostar do Marco Feliciano ou das idéias dele. No entanto, é preciso ser justo para reconhecer uma armação quando se está diante de uma. Você tem o direito de não gostar do seu discurso político, pode até considerá-lo "teologicamente estúpido", como um jornalista me disse outro dia. Mas daí a levar a sério uma acusação de estupro baseada em prints de whatzapp, facilmente fabricáveis, é outra coisa. 
Em que pese agora o empenho da polícia em esclarecer os fatos, o escândalo já deixou estragos insanáveis. 
Já vi pessoas que tiveram sua família e reputação destruída por conta de uma calúnia moral que, ao fim, não se comprovou, mas o prejuízo já estava feito. 
Neste sentido,entendo que a lei brasileira ainda é muito condescendente. Uma pessoa qualquer, por exercer uma atividade pública, e às vezes até por atrair antipatias de gente influente, pode ser vítima de uma calúnia ou de uma injúria cruel, a notícia se espalhar como rastilho de pólvora, e tudo fica por isso mesmo. A Lei brasileira, na minha modesta opinião, não protege adequadamente a honra pessoal, que é o maior bem imaterial de qualquer pessoa – a reputação é o edifício em cima do qual todo ser humano constrói sua história, e tudo isso pode ser facilmente destruído por uma calúnia irresponsável, sem que haja reparação alguma, nos termos da lei.. 
Muito cuidado ao espalhar boatos sem refletir a respeito. Sempre há pessoas envolvidas que sofrerão por uma injustiça.

Reverendo Cláudio Moreira é pastor evangélico, escritor e missionário. Atualmente é conferencista e pastor da Igreja do Evangelho Quadrangular em Vila Nova do Sul.