A Democracia de Farda

Tarso Teixeira 
Presidente do Sindicato Rural 
Vice Presidente da Farsul

Nas últimas semanas, o noticiário apresentou para todo o país o caos sangrento que cobriu as ruas do Rio de Janeiro. Um governo estadual com seus principais agentes políticos presos, totalmente incapaz de contornar a crise de segurança pública e o poderio violento das gangues do tráfico de drogas nos morros, teve que mais uma vez recorrer a uma intervenção das Forças Armadas. A presença do Exército Brasileiro nos morros cariocas restabeleceu um mínimo de civilidade, e a vida retomou seu rumo.
A Constituição Federal, no seu artigo 142, estabelece com clareza o papel das Forças Armadas. Tendo como principal tarefa a garantia da soberania nacional, elas também podem ser convocadas para garantir a permanência das instituições e a preservação da lei e a ordem. Sempre sob a autoridade máxima do Presidente da República, e sempre convocadas por qualquer um dos três poderes – Executivo, Legislativo e Judiciário. Pois bem, é justamente nestes poderes que se encontra hoje um desequilíbrio institucional jamais visto. Não se trata somente dos escândalos de corrupção, mas da forma como um poder avança sobre as competências dos demais. O Judiciário avançando sobre prerrogativas do Legislativo, o Executivo sendo acusado de corromper parlamentares, e em meio a tudo isso, um Ministério Público quase onipotente, ágil para perseguir produtores com a legislação ambiental, e lento para denunciar corruptos poderosos. 
Toda esta situação produz uma insatisfação justificada. A própria existência do Estado, do Poder Público, só se justifica na medida em que consegue prover segurança e estabilidade para a nação. É por isso que, em diversos segmentos da população, muitos enxergam nas Forças Armadas uma salvaguarda última, porém necessária, para resgatar a estabilidade perdida das instituições.
Não se trata de ruptura da ordem democrática. Não é esta questão que está posta, mesmo porque, meio século depois, os tempos são outros. Trata-se, antes de mais nada, de proteger a própria democracia daqueles que buscam, por dentro, corrompê-la. Em qualquer nação democrática digna deste nome, o Exército é o último guardião da Nação, e mais ainda, do povo. 
Por conta de décadas de doutrinação esquerdista em faculdades e escolas brasileiras, o período em que os militares exerceram o poder no país foi estigmatizado, e quanto a isso, muito pouco pode ser feito. Mas se o passado não pode ser revisitado, é o momento de pensar no futuro. E para que a Nação tenha um futuro, os seus guardiões constitucionais precisam estar alertas.
Nações acabam. A Prússia, o Império Austro-Húngaro e o Império Otomano, são exemplos bem recentes disso. É hora de intervir, para que nosso país não acabe.

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