quarta-feira, 25 de julho de 2018

Espaço do leitor:

As Eleições e o 
Olhar do Campo

Tarso Francisco Pires Teixeira
Presidente do Sindicato Rural de São Gabriel
Vice Presidente da Farsul 

Até a metade do mês de agosto, esgota-se o prazo estipulado pela lei eleitoral para que os partidos políticos realizem suas Convenções Nacionais e Estaduais, para escolher seus candidatos às eleições deste ano. Somente depois deste período é que serão conhecidos, de fato, os nomes dos candidatos “pra valer”, e aqueles que só serviram para render manchetes sobre hipóteses vão sumir na fumaça. Como se diz em São Gabriel, será a hora de “separar os touros dos terneiros”
Já é possível, no entanto, observar os nomes já postos no cenário, e as intenções e propostas já veiculadas, aqui ou ali, em declarações dos candidatos e de seus partidos, sobre a visão de futuro para setores estratégicos, como o agronegócio. E em que pese a lei eleitoral recomendar cautela quando se trata de citar nomes, não podemos nos furtar à análise destes Planos de Governo que, se não devem ser inteiramente levados a sério, merecem ser lidos ao menos como cartas de intenções, para que se possa ter clareza sobre os propósitos dos candidatos e seus reais propósitos para o setor que é responsável pelo dinamismo da nossa cadeia produtiva.
Um tema que merece atenção, especialmente para os produtores rurais do Sul do Brasil, é a correção das assimetrias do Mercosul, que fazem com que produtos estrangeiros, como o arroz do Uruguai e do Paraguai, normalmente produzidos por brasileiros que para lá migraram, entrem no mercado nacional com carga tributária menor e exigências fitossanitárias muito mais elásticas, causando evidente prejuízo à nossa agro-economia. Entretanto, este tema está inteiramente ausente da pauta de candidatos à presidência ligados ao eixo Rio-São Paulo, porque vem de regiões que lucram com esse comércio desigual. Para eles a lógica é essa: Paraguai, Argentina e Uruguai nos vendem o trigo e o arroz, e o Brasil (ou melhor dizendo, São Paulo) vende carros e produtos industriais da chamada linha branca. Os demais Estados, devem se contentar apenas em ser “corredor de passagem” deste dito Mercado Comum. 
Outro tema que afeta seriamente a produção primária, diz respeito ao comércio de carga viva para países do Oriente Próximo, como a Turquia, que compraram cargas de boi vivo do Brasil, literalmente “salvando” a pecuária brasileira de um semestre ruim e do oligopólio dos frigoríficos. Pois organizações ambientalistas radicais, com o auxílio de seus tentáculos no Ministério Público, querem criminalizar esta prática comercial, sob o falso pretexto de proteção ao bem-estar animal. Pois estes setores tem uma candidatura claramente destacada, e bem colocada nas pesquisas de opinião, talvez até com o apoio ingênuo de algum produtor rural seduzido por sua retórica moralista.
Haveria muitas outras questões relevantes a ser observadas, como o papel do Banco Central, a política de juros, o financiamento da produção e outras diretrizes estratégicas. Cabe ao produtor rural não se “apaixonar” por este ou aquele discurso, e analisar com lupa as intenções de cada projeto. Esta é a única forma de fazermos o processo democrático cooperar para a construção de um projeto de Nação que dê ao agronegócio o protagonismo merecido.