domingo, 28 de outubro de 2018

"Rever o Estatuto do Desarmamento é prioridade", diz vice-presidente eleito

Novato em campanhas políticas, o general da reserva Hamilton Mourão, de Porto Alegre, admite que a sinceridade lhe custou "alguns problemas e críticas ferozes". O desabafo foi feito em entrevista por telefone a Zero Hora ontem, num dia que começou em Brasília, onde o militar, candidato a vice-presidente do Brasil pelo PRTB, votou pela manhã (na Escola da Vila Militar do Regimento de Cavalaria de Guardas, no Setor Militar Urbano), e terminou na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, onde acompanhou, em seu apartamento em Copacabana, a definição da mais tensa eleição da história recente do Brasil. A ideia era rumar para residência de seu parceiro de chapa Jair Bolsonaro (PSL), na Barra da Tijuca, mas o voo atrasou.
Bastante assediado e ainda atordoado pela vitória que o colocou no segundo posto mais importante da República, Mourão rememorou etapas do pleito, lembrou de ataques sofridos (disse que ser chamado de "torturador" magoou sua família) e falou de prioridades do novo governo, mesmo que ainda não detalhadas.

Quais as prioridades do novo governo? Previdência, segurança pública...?
É imperioso mudar nesses dois quesitos. Na questão da Previdência Social, se implementar algo semelhante ao que foi proposto pelo presidente Michel Temer, já é um avanço. Nesse caso, por exemplo, os militares terão um aumento no tempo de serviço. Farão seu sacrifício também, assim como as pensionistas, que hoje não contribuem para a Previdência. Mas isso tudo passa antes pelo Jair (Bolsonaro), a palavra é dele, ele e o Paulo Guedes que vão definir o modelo. Com relação à segurança pública, vamos integrar o planejamento com as secretarias de segurança e as polícias. Isso é o que depende de nós. As demais iniciativas precisam passar pelo Congresso. Rever o Estatuto do Desarmamento é prioridade. Agilizar a posse de armas por aqueles que comprovarem necessidade. Outro desejo é baixar a maioridade penal, mas tudo isso precisa de voto no Parlamento. E projeto definitivo, só com a palavra do Presidente (Jair Bolsonaro).

Como vocês vão superar o desafio de unir um país fraturado ideologicamente? 
Em primeiro lugar, não considero o país fraturado. O que existe são pequenos grupos mais radicais que não entenderam que um processo eleitoral é apenas a apresentação de projetos para que o eleitor escolha o que mais lhe convém. Isso é alternância de poder, princípio basilar da democracia. Por meio da temperança, boa vontade, discernimento e resiliência iremos buscar baixar as tensões. JB (Jair Bolsonaro) governará para o conjunto da Nação, mas tendo em mente um verdadeiro projeto para o futuro das novas gerações e não de poder.

Qual o pior momento da campanha? Foi a facada em Bolsonaro?
O momento mais tenso foi mesmo a situação de vida ou morte pela qual passou o Jair. Foi muito difícil. Ele sempre foi o líder e sua ausência nos prejudicou muito.

E para o senhor, novato em eleições, que jamais tinha feito tão intensa peregrinação pelo país, qual foi o pior momento?
Não vivi tensões, mas, sim, a necessidade de adaptar o discurso ao método de fazer política. A minha sinceridade de propósitos me custou alguns problemas e críticas ferozes. Fui treinado para a adversidade, portanto, consegui manter a calma e a coerência. Mas ser chamado de torturador, coisa que não fui, magoou e atingiu minha família.

Os militares estão de volta ao poder no Brasil?
Não são os militares, como já disse hoje ao votar. São dois cidadãos brasileiros que já foram militares. As Forças Armadas continuarão cumprindo aquilo que a Constituição prevê.