sábado, 10 de novembro de 2018

Espaço do leitor:

Nomes para um novo tempo


Tarso Francisco Pires Teixeira
Presidente do Sindicato Rural de São Gabriel
Vice Presidente da Farsul

Uma expressão muito recorrente na política, que raramente vemos na vida prática, é o tal “governo de notáveis”. Um governante que se cerque de nomes reconhecidos pela competência técnica, sem indicações fisiológicas, e se possível, também com habilidade política. O presidente eleito acena nesta direção para o Brasil. 
A última vez que tivemos algo próximo de um “governo de notáveis” foi quando Itamar Franco se tornou o presidente da República. O ministério foi composto de nomes até então conhecidos por uma biografia limpa, como Antônio Britto na Previdência, Yeda Crusius no Planejamento, Pedro Simon líder do governo no Senado, e, obviamente, Fernando Henrique Cardoso, primeiro como chanceler, e depois como o ministro da Fazenda que viabilizou o Plano Real. Preocupado em combater a inflação, Itamar nomeou um ministro mais forte que ele próprio, e os resultados foram grandiosos para o país.
Como em ciclos que se repetem, a situação de hoje é similar. Bolsonaro escolheu um nome maior que ele próprio, o juiz Sérgio Moro, para ministro da Justiça. O grande general Heleno, herói da missão brasileira no Haiti, para o Gabinete de Segurança Institucional, e na Ciência e Tecnologia, pasta que costuma ser entregue a políticos do baixo clero, o astronauta Marcos Pontes, com formação no prestigiado Instituto de Tecnologia da Aeronáutica. 
O realismo de quem precisa dialogar com o Congresso obrigou a alguns recuos, como dar fim à ideia de fundir as pastas da Agricultura e Meio Ambiente. Uma pena, porque é justamente uma agricultura integrada e sustentável que nos daria nossa maior vitrine comercial no mundo. Para o comando da Agricultura, uma mulher, deputada Tereza Cristina.
Aos poucos, um novo governo vai tomando forma, aliando nomes de gabarito técnico com talentos experientes da política, como Onyx Lorenzoni. A continuar assim, o país pode estar diante de uma oportunidade histórica. Se o período Itamar derrotou a inflação, o período Bolsonaro pode também fazer uma proeza, derrotando a corrupção na esfera pública.