Textículos do Mário Mércio

Mário Mércio
Colunista do blog

A PALAVRA

Muito hoje se vê e se escuta, mormente em templos, oráculos e púlpitos falarem na PALAVRA.
“ In principio, erat verbum” ( no princípio havia a palavra).
Assim começa a Bíblia. Assim começa a história da humanidade.
O homem é a palavra. A história é a palavra. A história do homem é a história da palavra. Esta crônica e todas são a linguagem. É o cotidiano do dizer a palavra.
O que é a Bíblia senão mil fábulas? Ou o que é a novela do povo judeu tiranizado sob os salgueiros da Babilônia? E a tragédia grega, o que era? 
Eram a metáfora da dor e do amor, da servidão e da liberdade, da vida e da morte.
Na Roma tirana dos Césares, a resistência da Judéia oprimida de Cristo era a parábola, isto é, a palavra.
Na Idade Média torturada de Galileu, o discurso era o silêncio. Mas bastaram duas palavras“Eppure, si muove” (apesar de tudo, a terra move) e o homem descobriu os caminhos da terra, dos mares, dos ares, do Universo, só pelo cantar dessas duas palavras mágicas.
Chegou o rádio, o telefone, o fax, a televisão, a palavra voada, a palavra alada, o homem satélite volátil no infinito. Apareceu a internet. Bem, a internet já é o homem metido a besta, ou metido a Deus. Por muito menos do que essa luxuriosa maçã do orgulho humano, Adão e Eva foram expulsosdo paraíso. Assim, a internet é a mesa posta nas estrelas, a sala de aula nos astros, a biblioteca nas galáxias, a reunião nos jardins do Éden, ou de Deus.A internet é a palavra globalizada, democratizada, socializada. A palavra sem dono e sem patrão, sem registro e sem cartório. É a palavra tiradentezada“Quaeseratamen”.(Ainda que tarde)
O jornalista, o cronista, o editor, o escritor, o professor sãoos tarefeiros da palavra. O oficial de dia da palavra. Vivem concubinados com ela. Nela tem o barro do jarro, o pão de cada dia. Seus sucessos ou suas desgraças é ter ou não a intimidade, amizade da palavra, confiar nela ou odiá-la.
Catão, o antigo romano sisudo, já ensinava: “Domina o assunto que a palavra vem por si”.
O francês Marcel Aymé lembrava que as palavras são como os perfumes: quanto menores, menos complicadas, enfeitadas e engalanadas, melhores e que certamente as palavras mais importantes de todas as línguas – dizia –São vida, morte, fome, sede, azar, sorte, medo, dia, noite, amor, sol .
Alguém duvida? Então use a palavra! Dizia-nos Cleto Falcão.

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