Textículos do Mário Mércio

Mário Mércio
Escritor e colunista do site

QUANDO CRISTO SILENCIOU

Em tempos de NATAL me veio á memória histórias contadas pelos irmãos Maristas, quando estudei em São Gabriel e que quando pai repassei a meus filhos: 
Quando Pilatos inqueriu Cristo: --O que é a verdade que tanto pregas? 
Cristo silenciou. Silenciou, porque sua vida inteira fora uma pregação viva sobre a VERDADE e naquele momento julgou que não precisava defini-la, face a face com seu carrasco, o Imperador Romano. 
E é sabido que desde sempre, desde que há gente sobre a Terra, a mesma pergunta se planta em todos os corações: O QUE É A VERDADE? 
Sábios, filósofos, sociólogos, a ética e a antropologia tem se esmerado, através dos séculos, para nos dizer em sua linguagem específica o que é a VERDADE. 
Nas dobras da pergunta de Pilatos, esconde-se um mistério, até hoje não desvendado integralmente. 
Os homens de ontem e os homens de hoje são eternos peregrinos em busca da verdade. 
Cristo não era um estadista, nem um sábio da Grécia, nem um jurista da Roma imperial. Cristo foi um simples carpinteiro de aldeia. Sua terra natal nem constava no mapa da época. 
Mas Ele tinha um coração imenso, profundo, forte e sensível.
E como era filho de Deus fazia milagres, sem buscar publicidade. Queria somente servir os desesperançosos, doentes, inválidos e esfomeados. E mais do que ninguém ele sofreu.
Acabou crucificado, embora inocente de todas as culpas que lhe infligiam. 
Mas aquela cruz que os homens de Pilatos ergueram tornou-se o eixo central do mundo no coração das pessoas. Símbolo de escárnio e de loucura converteu-se em sinal de Redenção. 
E desde então, nas encruzilhadas dos caminhos, no vértice das igrejas e das montanhas, nas paredes das casas e nas frontes dos homens, sobre o berço das crianças e sobre a tumba dos mortos, o crucificado se ergue e como se falasse de braços abertos e coração transpassado:- --“Assim como eu vos amei, amai-vos todos também, uns aos outros”. E completou: --“Aquilo que eu fiz, fazei-o igualmente a teus semelhantes, pois--“Ser feliz é levar felicidade aos outros”. 
O silêncio então era a VERDADE.