São Gabriel perde o médico Arlindo Vargas

A comunidade gabrielense perdeu um grande médico e político. O ex-deputado federal e médico Arlindo Roso de Vargas morreu nesta terça-feira (27) aos 73 anos, após problemas de saúde que vieram a se agravar nos últimos meses. Nascido em Formigueiro em 14 de janeiro de 1948, fez sua carreira médica e política em São Gabriel, chegando a ser vereador e primeiro deputado federal pelo município, com inúmeras realizações na área política e da saúde.
Era casado com Cláudia Burmeister de Vargas, com quem teve três filhos.
Na manhã de hoje, o Prefeito Rossano Gonçalves decretou luto oficial de três dias.
 
UMA HISTÓRIA DE LUTA E CONQUISTAS
Filho de Armindo Antônio de Vargas e de Juvelina Roso de Vargas, Arlindo se formou em Medicina pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), vindo a se estabelecer em São Gabriel onde era especializado em ortopedia. Secretário de divulgação do diretório acadêmico da Faculdade de Medicina no período de estudante, logo após a formatura passou a integrar o Conselho Regional de Medicina em seu estado. Foi ainda vice-presidente (1976-1977) e presidente (1977-1979) da Associação Médica do Rio Grande do Sul e membro do Centro Francês de Informação Permanente de Medicina de Paris (1976-1983). Em 1978, concluiu o curso de pós-graduação em medicina do trabalho na Universidade de Santa Maria, tendo feito diversos cursos na área de ortopedia médica entre 1977 e 1979.
No período que se estendeu de 1976 e 1979, foi superintendente regional da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) do Rio Grande do Sul e ocupou diversos cargos em São Gabriel, como o de secretário de Saúde e Assistência Social, chefe do Serviço Nacional de Medicina Social do Instituto Nacional de Assistência Médica da Previdência Social (INAMPS) e coordenador do Sistema Único de Saúde (SUS).
Dedicou-se à política após a extinção do bipartidarismo, em novembro de 1979, e a conseqüente reformulação partidária, filiando-se ao Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), de cuja convenção nacional participou como delegado nos períodos de 1979-1980 e 1982-1983. Foi presidente (1982) e vice-presidente (1986-1987) do partido em São Gabriel, além de suplente do diretório regional do PMDB gaúcho (1983-1985). Ao longo desse período, ainda em São Gabriel, presidiu o conselho médico da Santa Casa de Caridade (1984-1986) e a Associação dos Previdenciários (1985-1986), e integrou o conselho fiscal da Associação dos Arrozeiros local.
No pleito de novembro de 1988, foi eleito vereador em São Gabriel na legenda do PMDB, assumindo o mandato em janeiro de 1989. Foi presidente da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara Municipal em 1990 e 1991, ano em que se transferiu para o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), tornando-se membro da executiva da Associação dos Vereadores do PTB gaúcho e presidente do diretório do partido em São Gabriel até 1995. Reeleito vereador em outubro de 1992 na legenda do PTB, com o início da nova legislatura, em janeiro de 1993, deu continuidade aos trabalhos como presidente da Comissão de Constituição e Justiça, tendo atuado ainda, em 1995, como vice-presidente da mesa da Câmara Municipal.
Nas eleições de outubro de 1994, candidatou-se a deputado federal pelo Rio Grande do Sul na legenda do PTB, mas obteve apenas uma suplência, mantendo-se no exercício do mandato como vereador até 31 de dezembro de 1996. Em janeiro de 1997, assumiu o mandato de deputado federal na vaga do petebista Hugo Lagranha, que se elegera prefeito de Canoas (RS) em outubro do ano anterior, participando dos trabalhos legislativos como primeiro-vice-presidente da Comissão de Trabalho, Administração e Serviço Público da Câmara.
Ainda em fevereiro de 1997, votou a favor da emenda que instituiu a possibilidade de reeleição para prefeitos, governadores e o presidente da República. Em novembro, todavia, opôs-se ao destaque ao projeto de reforma administrativa do governo que instituiu o fim da estabilidade no serviço público em caso de mau desempenho do servidor ou quando os gastos com pessoal fossem superiores a 60% da arrecadação do Estado.
Em outubro de 1998, candidatou-se mais uma vez a deputado federal na legenda do PTB, obtendo uma nova suplência. No mês seguinte, cumprindo o mandato que se encerraria em janeiro de 1999, votou a favor da criação de um teto para as aposentadorias dos funcionários públicos e da instituição do limite de idade mínima e do tempo de contribuição como critérios de cálculo para a concessão de aposentadorias no setor privado.
Na legislatura iniciada em fevereiro de 1999, chegou a exercer brevemente o mandato como suplente no mês de janeiro de 2003. Um ano antes, candidatara-se novamente a deputado federal, na legenda do PTB, obtendo, mais uma vez, uma suplência. Passou pelo PSDB e estava no PSD, sua última agremiação partidária na vida pública.
 
Fonte: CPDOC da FGV

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