Coluna Ponto de Vista

Seminário Regional de Prendas debate papel do tradicionalismo no combate à violência contra a mulher no RS

No domingo, 29, o CTG Caiboaté sediou o Seminário Regional de Prendas da 18ª Região Tradicionalista, promovido pela Gestão de Prendas e pelo Departamento Cultural da 18ª RT, representados por Diully Pomorski. O encontro contou com a palestra de Roberta Jacinto, advogada e 1ª Prenda do Rio Grande do Sul 2016/2017, que apresentou o tema anual do MTG 2026: “O tradicionalismo dos galpões à sociedade: Movimento Tradicionalista Gaúcho e o combate à violência contra a mulher no Rio Grande do Sul”. 

Palestrante Roberta Jacinto e Diully Pomorski, organizadora do evento

A palestrante destacou o papel transformador do MTG na promoção de uma cultura de paz, ressaltando que o movimento busca fortalecer valores de solidariedade, respeito e união comunitária, incentivando práticas que favoreçam a resolução pacífica de conflitos e a valorização dos direitos humanos.
A apresentação também abordou a necessidade de garantir os direitos fundamentais das mulheres dentro do tradicionalismo, reconhecendo que elas são parte indissociável do movimento e essenciais para a manutenção das comunidades que sustentam a cultura gaúcha.
Foram discutidos os desafios enfrentados pelas mulheres na sociedade contemporânea, especialmente a persistência da violência, que continua atingindo mulheres de diferentes idades e realidades, mesmo diante de avanços sociais e da crescente independência feminina.
O tema foi aprofundado com a apresentação de dados do Boletim Epidemiológico da Secretaria de Saúde do Rio Grande do Sul, que apontam que, em 2024, 78% das notificações de violência no estado envolveram meninas e mulheres de 10 a 59 anos. Entre todos os tipos de violência registrados, o feminicídio é o único que apresenta crescimento exponencial no estado, evidenciando a gravidade da situação.
O seminário também destacou a assinatura do Termo de Cooperação entre o MTG e o Ministério Público do Rio Grande do Sul, reforçando o compromisso institucional no enfrentamento à violência contra a mulher. Durante a cerimônia, foi ressaltado que a violência possui camadas culturais profundas e que o combate efetivo exige transformação social, diálogo e mudança de comportamentos.
A palestra abordou ainda os diferentes tipos de violência — física, psicológica, patrimonial, moral e sexual — e a importância de reconhecer e enfrentar cada uma delas.
Outro ponto discutido foi a integração feminina ao longo da história do tradicionalismo, lembrando que, desde 1947, já havia a necessidade de participação ativa das mulheres, tanto nas lutas quanto na preservação da cultura.
O encontro reforçou que a transformação começa no indivíduo, por meio do desenvolvimento pessoal, do autoconhecimento, do fortalecimento enquanto mulher, da construção de redes de apoio e da busca por mecanismos de proteção.
No âmbito coletivo, destacou-se a importância de incentivar outras mulheres, promover ambientes saudáveis, ensinar crianças sobre respeito e compreender que a participação feminina envolve não apenas espaço, mas também competência.
A palestra também trouxe reflexões sobre a preservação dos códigos culturais do tradicionalismo, enfatizando que elementos como a pilcha, as danças e os trajes devem ser mantidos sem descaracterização, ao mesmo tempo em que códigos que reforçam submissão, violência ou desrespeito precisam ser transformados.
A formação de jovens por meio de atividades como Ciranda e Entrevero foi apresentada como oportunidade de desenvolvimento pessoal, construção de laços comunitários e incentivo ao engajamento social, contribuindo para a formação de agentes de transformação. 

Ao final do seminário, houve uma homenagem às Prendas da 18ª Região Tradicionalista que representaram o Rio Grande do Sul ao longo dos anos, reconhecendo suas contribuições para o fortalecimento do movimento. 

O evento reafirmou o compromisso do MTG e da 18ª RT com a promoção de uma sociedade mais justa, segura e igualitária, destacando que o tradicionalismo, aliado ao diálogo e à responsabilidade social, é uma ferramenta essencial na construção de um futuro livre de violência. 

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