Mudanças climáticas e extinções em foco: Zoomundo participa de palestra e saída de campo na Unipampa
Palestra realizada na Unipampa na sexta-feira, 10, reuniu estudantes e professores para um encontro com os divulgadores científicos Bruno Augusta, doutor em Paleontologia, e Amanda Gomes, oceanógrafa, criadores do canal Zoomundo. Além da atuação nas redes sociais, ambos são docentes em Santo André, na região metropolitana de São Paulo.
Durante a passagem pela universidade, eles também participaram de uma saída de campo para coleta de fósseis, acompanhados pelo professor Felipe Pinheiro, do Laboratório de Paleobiologia da Unipampa — responsável por trazê-los à instituição. A atividade permitiu que conhecessem os sítios fossilíferos da região e o trabalho desenvolvido pela equipe local.
A palestra integra as ações do projeto “Mudanças Climáticas e os Impactos sobre os Animais Marinhos”, do qual o encontro sobre catástrofes colossais e mudanças climáticas faz parte.
Durante a apresentação, Amanda explicou que o conceito de cultura oceânica ainda é pouco difundido, embora seja essencial para compreender a relação entre humanidade e oceano. Segundo ela, “o oceano cobre a maior parte e influencia tudo”, regulando o clima, sustentando a maior diversidade de vida do planeta e permanecendo amplamente inexplorado.
Bruno apresentou eventos de extinção em massa ao longo da história da Terra e suas semelhanças com o cenário atual. Ele destacou que, embora a extinção dos dinossauros seja a mais conhecida, outras cinco grandes extinções já ocorreram — e a humanidade pode estar desencadeando a sexta. Para Bruno, o ponto crítico não é apenas a mudança climática, mas a velocidade com que ela acontece. “O problema não é o clima mudar, o clima muda o tempo todo. O problema é a velocidade com a qual o clima muda”, afirmou, relacionando o fenômeno ao aumento acelerado de CO₂ na atmosfera. Ambos também chamaram atenção para os impactos diretos sobre os oceanos, como acidificação, branqueamento de corais e o avanço de doenças que afetam anfíbios e outros grupos sensíveis.
Além dos dados científicos, os divulgadores alertaram para o avanço do negacionismo climático, da desinformação e da popularização de pseudociências. Para eles, comunicar ciência tornou-se indispensável para enfrentar esse cenário. Amanda ressaltou que o desafio não é apenas informar, mas disputar espaço com conteúdos sensacionalistas e enganosos, defendendo que profissionais das ciências naturais ocupem mais a internet e ambientes educativos.
O casal também compartilhou sua trajetória profissional, mostrando que a divulgação científica pode ser uma alternativa de carreira viável para biólogos. Eles apresentaram exemplos de trabalhos que já realizaram — palestras, oficinas, consultorias, cursos, excursões científicas e produção de conteúdo digital — e discutiram valores praticados no mercado. Criado em 2020, o canal Zoomundo já ultrapassou 35 bilhões de visualizações somando todas as plataformas, ampliando o alcance da ciência e abrindo novas oportunidades profissionais, desde roteirização e edição até parcerias com instituições e marcas.
A palestra encerrou com um convite à reflexão: diante das mudanças climáticas aceleradas, da perda de biodiversidade e da desinformação crescente, o papel de cientistas e educadores torna-se ainda mais crucial. Para os divulgadores, comunicar ciência é uma forma de resistência — e também de esperança.







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