Coluna Ponto de Vista

Éder Barboza critica exposição feita por colega nas redes sociais e explica voto contrário a moção de repúdio ao STF

O vereador Éder Barboza (Podemos) utilizou seu espaço na sessão ordinária desta terça-feira (29) para explicar seu posicionamento contrário à moção de repúdio ao Supremo Tribunal Federal (STF), apresentada na semana passada pelo vereador Vagner Aloy Rodrigues, o Maninho. Éder também criticou a forma como o assunto foi levado às redes sociais após a votação.
Em publicação feita depois da sessão em que a matéria foi apreciada, Maninho informou que a moção não havia sido aprovada e citou nominalmente os vereadores que votaram contra: Éder Barboza, Giovana Gonçalves, Luciano Arosul, Sildo Cabreira e Jana França.
Na tribuna, Éder afirmou que gostaria de responder diretamente ao colega, mas lamentou que Maninho não estivesse no plenário naquele momento. Ele criticou ainda o fato de o vereador, segundo sua manifestação, deixar o plenário após a Ordem do Dia em outras sessões.
Ao explicar seu voto, Éder sustentou que sua discordância não significava uma defesa das decisões do Supremo. Segundo ele, o problema estava na falta de especificidade da proposição.
“Eu assinaria a moção se os fatos fossem relacionados e não uma moção que diz ‘pelas últimas decisões’. Que últimas decisões? Contra quem nós estamos votando? Que fato que é?”, questionou.
Ele argumentou que uma moção de repúdio precisa apresentar claramente o fato que está sendo contestado. “Se eu vou fazer uma moção, ela tem um objeto, não é um objeto vago. Essa aqui foi proposta nesse plenário, é muito vaga, sem objeto, sem nada. Eu posso votar a favor da moção e, daqui a pouco, estou dando um tiro em mim mesmo”, declarou.
O vereador também acusou Maninho de buscar exposição política com a proposição e com a repercussão posterior nas redes sociais. “A gente está vendo que o vereador quer vitrine, e na verdade ele conseguiu a vitrine. Se fosse aprovada a moção, ele estava na vitrine; se não foi, está mais ainda na vitrine. Vamos fazer vitrine com coisas importantes da nossa cidade”, afirmou.
 
Éder critica publicação e defende respeito às posições políticas
Durante sua manifestação, Éder demonstrou indignação com a publicação feita por Maninho e afirmou que não aceita ter sua imagem atingida em razão do posicionamento adotado na votação. Também defendeu a convivência entre pessoas de diferentes correntes políticas dentro do Podemos, partido em que é presidente.
Segundo ele, o partido reúne em São Gabriel pessoas com diferentes posições ideológicas. “Meu partido é de centro-direita, mas é centro e todos são bem-vindos. Não é porque é de esquerda que eles vão ser um joio. Para o Podemos, todos são trigo. Eu não desvalorizo ninguém”, declarou.
Ao encerrar, o vereador afirmou que ninguém pode ser obrigado a tornar públicas suas posições políticas individuais e cobrou responsabilidade no debate entre os parlamentares.
“Não é porque ele queira que eu diga que eu vou dizer. Não, senhor. Vamos ter responsabilidade e vamos ter moral para cobrar moralidade. Vamos ter ética para cobrar ética”, concluiu.

Vereador cita problemas de São Gabriel

Éder também afirmou que a Câmara possui questões locais que poderiam receber maior atenção dos vereadores. Como exemplo, relatou ter percorrido, durante o fim de semana, a região do Catuçaba, no interior do município, para verificar necessidades enfrentadas pela comunidade.
O parlamentar citou ainda a demora nas investigações envolvendo vereadores, afirmando que o caso estaria há cerca de oito meses com a Polícia Civil sem encaminhamento ao Judiciário. Apesar da cobrança específica, fez questão de elogiar o trabalho realizado pela instituição em São Gabriel.
“A nossa Polícia Civil faz um belíssimo trabalho, espetacular aqui em São Gabriel, mas esse fato está deixando a desejar”, afirmou.
Outro exemplo apresentado foi a situação da São Gabriel Saneamento. Éder disse que vereadores estariam tentando, há cerca de três meses, agendar uma reunião com o Ministério Público para tratar do assunto, sem conseguir atendimento até o momento.
O vereador utilizou esses casos para reforçar seu argumento de que uma eventual moção de repúdio deveria possuir um objeto claramente definido.
“Vamos fazer uma moção de repúdio para o nosso Ministério Público porque não nos atende? Tem um objeto, é sobre esse tema. Porque o Ministério Público de São Gabriel age e muito bem. Só nesse fato não está nos atendendo”, exemplificou.
 
A reportagem tentou contato com o vereador Maninho, mas não obteve retorno até o fechamento da matéria. 

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