Coluna Ponto de Vista

Na RS-630, a “Liberdade” onde homens lutam todos os dias por uma nova vida

Às margens da RS-630 existe um lugar onde plantar uma muda de alface, preparar um pão ou cumprir uma tarefa cotidiana pode ter um significado muito maior do que parece.
Ali funciona a Comunidade Terapêutica Liberdade, que há cerca de um ano e cinco meses acolhe dependentes químicos que decidiram buscar uma oportunidade de recuperação.
Atualmente são 13 acolhidos. São homens com histórias diferentes, mas unidos pelo desejo de superar a dependência e encontrar novamente um caminho para suas vidas.
À frente do projeto estão o pastor Anderson Dabul e o advogado Álvaro Cunha, lideranças da Igreja Filadélfia. Nesse período, além dos atuais acolhidos, diversas pessoas já passaram pela comunidade e avançaram em seu processo de recuperação.
Para Anderson Dabul, acompanhar cada mudança é o que dá sentido ao trabalho desenvolvido diariamente.
“Aqui nós não enxergamos apenas a dependência. Enxergamos a pessoa, sua história e tudo aquilo que ela ainda pode construir. Cada dia de recuperação é uma vitória e uma nova oportunidade de recomeçar”, destaca Anderson.
 
Quando trabalhar também significa recomeçar
 

A recuperação acontece no cotidiano.
Parte da rotina está na horta mantida pelos próprios acolhidos. Em breve, a expectativa é começar a comercialização de alface, inclusive com a possibilidade de montar uma pequena feira em frente à comunidade.
 

Também são produzidos pães e alfajores para venda, ajudando na manutenção das atividades.
Mas o resultado desse trabalho não pode ser medido apenas pelo dinheiro arrecadado.
Quando alguém que enfrenta a dependência química volta a assumir responsabilidades, aprende uma atividade, participa de uma produção e percebe o resultado do próprio esforço, começa também a recuperar algo que muitas vezes ficou pelo caminho: a confiança em si mesmo.
Álvaro destaca a importância de devolver perspectivas a quem chega à comunidade.
“Nosso objetivo não é simplesmente oferecer um lugar para a pessoa ficar. Queremos que ela volte a acreditar que é capaz, que pode trabalhar, reconstruir relações e retomar seus projetos de vida”, afirma.
É por isso que, na Liberdade, cuidar da terra também pode significar cuidar da própria vida.
 
Liberdade para escolher ficar
 



O local conta com sala de estar, alojamentos e regras de convivência. Existe organização e disciplina, elementos importantes para quem busca reconstruir uma rotina.
Mas há uma palavra que define a essência do projeto: liberdade.
Os acolhidos permanecem porque decidiram permanecer.
E talvez esteja justamente aí um dos maiores desafios da recuperação. Todos os dias é preciso fazer novamente uma escolha: continuar.
Continuar longe das drogas. Continuar trabalhando. Continuar acreditando. Continuar tentando.
“O nome Liberdade não foi escolhido por acaso. Queremos que cada pessoa compreenda que estar aqui é uma escolha. A verdadeira liberdade começa quando ela decide que não quer mais ser prisioneira da dependência”, ressalta Anderson Dabul.
 
Das primeiras obras ao acolhimento de vidas
 
As fotografias do início da Comunidade Terapêutica Liberdade ajudam a contar uma parte importante dessa história.
Onde hoje existem alojamentos, atividades, produção de alimentos e pessoas buscando uma nova oportunidade, um dia houve muito trabalho para transformar um projeto em realidade.
 






Os registros das primeiras obras mostram o começo da estrutura e ajudam a dimensionar o caminho percorrido em aproximadamente um ano e cinco meses. 
Mais do que paredes sendo levantadas, começava a ser construído um espaço com o propósito de acolher pessoas que enfrentam a dependência química.
Para o pastor Anderson Dabul, olhar para essas imagens é também recordar o tamanho do caminho já percorrido.
“Quando olhamos as fotos do início, percebemos o quanto já caminhamos. Cada parede levantada representava um sonho. Hoje, ver pessoas sendo acolhidas aqui mostra que todo aquele esforço tinha um propósito muito maior”, destaca.
As imagens contam uma transformação que vai além da estrutura física.
Enquanto o espaço foi sendo construído, nasceu também um lugar destinado à reconstrução de vidas.
 
Uma luta que envolve famílias
A dependência química não atinge apenas quem faz uso das drogas. Muitas vezes, famílias inteiras sofrem junto. Relações são abaladas, oportunidades são perdidas e sonhos acabam interrompidos.
Por isso, cada pessoa que consegue avançar na recuperação representa também esperança para pais, mães, filhos, esposas, irmãos e amigos.
Álvaro lembra que os resultados aparecem justamente nas histórias que começam a ser reconstruídas.
“Quando vemos alguém que passou por aqui retomando sua vida e recuperando os vínculos com a família, entendemos a dimensão desse trabalho. Uma pessoa recuperada representa esperança para muita gente ao seu redor”, destaca.
 
Você também pode ajudar a escrever essas histórias
Manter uma estrutura que hoje acolhe 13 pessoas significa despesas diárias com alimentação, manutenção e atividades. Por isso, a participação da comunidade é fundamental para que o trabalho possa continuar.
 
Quem desejar colaborar pode contribuir através do PIX ou saber mais pelos telefones:

Anderson Dabul: (55) 99712-4123
Álvaro Cunha: (55) 99999-6961

Pix da Comunidade Terapêutica Liberdade:
 
Também é possível apoiar adquirindo os pães e alfajores produzidos pelos acolhidos e, futuramente, as hortaliças cultivadas no próprio local.
“Quem ajuda a Comunidade Liberdade não está simplesmente fazendo uma doação. Está ajudando a oferecer condições para que alguém tenha uma nova oportunidade de vida”, resume Anderson.
Na RS-630, enquanto alguns preparam pães e alfajores e outros cuidam da horta, existe um trabalho muito maior acontecendo.
Ali não estão sendo cultivadas apenas hortaliças. Estão sendo cultivadas oportunidades.
Porque, para quem enfrenta a dependência química, talvez uma das palavras mais importantes seja justamente aquela escolhida para dar nome à comunidade:
LIBERDADE.
Liberdade para permanecer.
Liberdade para mudar.
Liberdade para recomeçar.

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