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quarta-feira, 7 de agosto de 2019

Espaço do leitor:

*O Incra não muda de nome, mas sim de atitude*

A questão agrária no Rio Grande do Sul sempre foi tema aberto a polêmicas e complexidades, por envolver relações sociais, políticas, técnicas, legais, e financeiras – uma vez que sua aplicação envolve recursos públicos. Por isso as mudanças no comando da Superintendência do Incra no Rio Grande do Sul provocaram todo gênero de reações, dos apoios mais efusivos às críticas mais severas. Numa democracia, a crítica deve sempre ser respeitada, mas a mentira, jamais. Por isso, e apenas por isso, resolvo dar visibilidade a um artigo publicado no blog panfletário marxista “Brasil de Fato”, intitulado “O Incra RS vai mudar de nome?”, escrito por Jacques Alfonsín, que se assina como Procurador aposentado do Estado, mas omite a condição de advogado do MST, atividade que não sabemos se exerce de forma humanitária ou como complemento à sua substancial aposentadoria. Além de não gostar da nova gestão do Incra, Alfonsín também é contra a reforma da previdência. Faz todo sentido.
O Alfonsín com quem debati no distante janeiro de 2009, no programa “Conversas Cruzadas” da TV Com, repete agora os mesmos jargões de dez anos atrás. A incapacidade de evoluir não deixa de ser uma forma de coerência. Afirma que o Incra deveria mudar de nome se levar adiante o propósito de verificar e corrigir eventuais irregularidades em assentamentos no Estado. Lamento desapontá-lo. O Incra do Rio Grande do Sul não irá mudar de nome, mas sim de atitude.

Muito surpreende que um ex-procurador veja com maus olhos quando um órgão federal busca regularizar ações que são de sua atribuição, e mostra o quanto seu pensamento está distante da maioria da população, que mudou os rumos da política nacional justamente para corrigir descaminhos. De resto, seu artigo encadeia surrados clichês do esquerdismo caviar, como a de que o produtor rural do Pampa é inimigo do meio ambiente, que coloca veneno no prato das pessoas e que está implantando o “deserto verde” no Estado com o plantio de eucaliptos, entre outras inverdades. A silvicultura, que pode ser encontrada inclusive em assentamentos, não ocupa mais de 3% do solo da região, e ao contrário do que apregoa, reavivou a fauna e flora nas suas áreas, sendo benéfica até mesmo para a apicultura, que pretendemos incentivar como matriz produtiva em assentamentos. Os defensivos agrícolas, chamados de venenos pelo vetusto procurador, impedem a proliferação de pragas e ajudaram a transformar o Brasil em campeão mundial da produção de alimentos. E justamente a Farsul, que Alfonsín sataniza, é quem lidera um trabalho de orientação aos produtores para o manejo correto de defensivos. Ignorar estas realidades é tarefa de um mistificador, não de um pensador minimamente sério.

O ilustre doutor que usa tom incendiário para convocar seus companheiros (ou clientes) à “resistência”, não encontrará no Incra o combustível para sua guerra de fancaria. Nosso foco está na missão de fazer com que o Instituto seja um propulsor de qualidade de vida para os assentados, que para nós, devem ser tratados como produtores. O povo brasileiro tem pressa, e não há tempo a perder com discursos de um tempo que já passou.

*Tarso Francisco Pires Teixeira*
Superintendente do Incra no Rio Grande do Sul