Coluna Ponto de Vista

Operação Placebo investiga esquema de medicamentos oncológicos falsificados; empresário de São Gabriel é preso

Foto: Giovani Grizotti/RBS TV

A Polícia Civil do Rio Grande do Sul deflagrou, na manhã desta segunda-feira (29), a Operação Placebo, que apura um suposto esquema de fraudes na compra de medicamentos de alto custo destinados ao tratamento de pacientes com câncer. A ação cumpriu 57 mandados de busca e apreensão e um mandado de prisão no Rio Grande do Sul e em outros quatro estados.
As investigações são conduzidas pela Delegacia de Polícia de São Gabriel e apontam indícios de fraude em orçamentos apresentados à Justiça, uso de empresas de fachada, entrega parcial de medicamentos e fornecimento de remédios com suspeita de falsificação.
O empresário gabrielense Lisandro Henriques Hermes foi preso durante a operação. Conforme a Polícia Civil, ele seria o responsável por coordenar o núcleo empresarial do grupo, controlando empresas que participavam das concorrências judiciais para fornecimento dos medicamentos, entre elas a Licifarma e a LH Medicamentos.
Segundo a investigação, empresas ligadas ao empresário venceram 12 processos de compra. A polícia também suspeita que o grupo utilizava sócios “laranjas” para ocultar a administração dos negócios.
O empresário nega as acusações. Em manifestação ao G1, afirmou que não possui relação com o médico e os advogados investigados e disse desconhecer qualquer irregularidade envolvendo medicamentos falsificados.
A investigação teve início após uma farmacêutica da Santa Casa de Caridade de São Gabriel identificar indícios de falsificação em frascos do medicamento Enhertu, utilizado no tratamento de câncer de mama. Entre as irregularidades observadas estavam erros de grafia na embalagem, levantando suspeitas sobre a autenticidade do produto adquirido com recursos públicos por meio de decisão judicial.
Além do empresário, a investigação envolve um médico oncologista e três advogados. Conforme o delegado Daniel Severo, o médico seria responsável por encaminhar pacientes aos advogados, que ingressavam com ações judiciais e direcionavam as compras para empresas ligadas ao grupo.
Por decisão da Justiça, o médico e os advogados tiveram o exercício profissional suspenso de forma cautelar.
Até o momento, a Polícia Civil identificou 39 pacientes que teriam sido prejudicados pelo esquema. Sete deles morreram durante o tratamento, embora a investigação ainda não tenha estabelecido relação entre os óbitos e os medicamentos sob suspeita.
A Anvisa já havia determinado, em fevereiro deste ano, a apreensão e a proibição da comercialização de um lote do medicamento Enhertu após identificar características incompatíveis com o produto original, reforçando os indícios que deram origem à investigação.
As apurações prosseguem para identificar todos os envolvidos e dimensionar a extensão das fraudes e os prejuízos causados aos pacientes e aos cofres públicos.

Fonte: site G1

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