Farmacêutica da Pré-Fórmula afirma na Câmara que medicamento suspeito foi barrado antes do preparo da quimioterapia
Responsável técnica da empresa disse que os frascos foram levados pela própria paciente, identificou indícios de falsificação e comunicou as autoridades; nenhum medicamento suspeito chegou a ser administrado, segundo a farmacêutica.
A farmacêutica Gislaine Heberlê, responsável técnica da Pré-Fórmula, prestou esclarecimentos na manhã desta quinta-feira (9) durante sessão da Câmara de Vereadores de São Gabriel sobre o caso que deu origem à Operação Placebo, da Polícia Civil.
Convidada pelo vereador Luciano Samaniego Arrussul (PDT), ela afirmou que o medicamento sob suspeita de falsificação não foi adquirido pela empresa responsável pelo preparo de medicamentos oncológicos na Santa Casa de Caridade de São Gabriel.
Segundo Gislaine, os quatro frascos do medicamento oncológico Enhertu foram levados pela própria paciente para o preparo da quimioterapia, após terem sido adquiridos por meio de um processo judicial conduzido por advogado particular.
“O medicamento suspeito chegou trazido pela paciente, comprado de um processo judicial que não passa pela farmácia”, afirmou.
De acordo com a farmacêutica, no dia 26 de maio de 2025, durante a conferência técnica realizada antes da manipulação, foram identificadas diversas inconformidades, entre elas embalagem em francês, bula em inglês e incompleta, frasco com dimensões diferentes do produto comercializado no Brasil e comportamento incompatível do pó durante a reconstituição.
“Diante das inconformidades, comunicamos ao médico que a paciente não poderia realizar o tratamento naquele dia, devido à suspeita de falsificação”, declarou.
Ela ressaltou que os frascos não chegaram a ser manipulados nem administrados à paciente.
Após a identificação das irregularidades, a empresa comunicou o médico responsável, as autoridades competentes e o laboratório fabricante. Conforme o relato, o laboratório substituiu os quatro frascos para que o tratamento da paciente pudesse prosseguir sem prejuízo. A empresa também prestou depoimento à Polícia Civil.
“Acredito que a partir daí tenha iniciado a Operação Placebo”, disse.
Durante a sessão, Gislaine afirmou ainda que nenhum paciente atendido pela Pré-Fórmula recebeu medicamento falsificado.
“Todos os medicamentos utilizados foram adquiridos de forma idônea e com toda a documentação que comprova sua autenticidade, devidamente analisada”, afirmou.
Voto de louvor
A atuação da farmacêutica foi reconhecida pela Câmara de Vereadores, que aprovou o Voto de Louvor nº 31/2026 em sessão realizada no último dia 2 de julho. Segundo Gislaine, o trabalho de identificação da suspeita também foi reconhecido pelo delegado responsável pela investigação.
Apelo aos pacientes
Ao final de sua manifestação, a responsável técnica fez um apelo para que pacientes oncológicos não interrompam seus tratamentos em razão da repercussão do caso.
“Faço um apelo a todos os pacientes para que não abandonem seus tratamentos oncológicos. Nos colocamos à disposição para sanar quaisquer dúvidas”, afirmou.
Ela também destacou que possui familiares e amigos que já realizaram tratamento na unidade de oncologia da Santa Casa.
“Jamais permitiria que qualquer pessoa fosse submetida a tratamento se não tivesse convicção da integridade”, concluiu.










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