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Biólogo gabrielense participa de pesquisa na Antártica visando fabricação de medicamento contra a Leucemia Linfoblástica aguda

O biólogo gabrielense Guilherme Afonso Kessler de Andrade, de 26 anos, mestre em Biologia e que realiza Doutorado no Programa de Pós-Gradução da Unipampa é um dos integrantes do Núcleo de Estudos da Vegetação Antártica e do Projeto NEVA, coordenado pelo professor Doutor Filipe de Carvalho Victoria e está participando da 40ª Operação Antártica Brasileira (OPERANTAR XL), juntamente com suas colegas, as também gaúchas Maria Victória Magalhães de Vargas (Alegrete) e Sara Navarrete Bohi Goulart (Bagé).






O laboratório já possui associação com o Programa Antártico Brasileiro e com projetos na Antártica há mais de 15 anos e o atual projeto de Guiilherme começou em 2019 e tem como objetivo principal buscar alternativas para a produção de um enzima, que é utilizada no tratamento de uma leucemia, a Leucemia Linfoblástica Aguda (LLA), que atinge principalmente crianças de 1 a 5 anos. 

"Estudamos as briófitas, mais especificamente os musgos (aquelas plantinhas verdes pequeninhas que geralmente aparecem em lugares úmidos nas nossas casas) e os fungos associados a eles. Porém, os musgos, assim como os demais organismos aqui no continente gelado, estão diretamente ligados a uma série de fatores ambientais, como a baixa temperatura, pouca disponibilidade de água livre (a Antártica é um dos locais mais secos do planeta), salinidade, os altos índices de radiação UV (os maiores índices de incidência de luz UV são na Antártica devido ao buraco da camada de ozônio estar localizado logo acima da Antártica), ventos muito forte e mais uma série de outros fatores que limitam a vida no continente gelado e acabam tornando estes organismos um forte e potente alvo para estudos biotecnológicos devido as grandes adaptações e resistência que possuem", destaca o gabrielense.
Guilherme frisa ainda que eles estão estudando os musgos e os fungos que vivem dentro destes organismos, em busca de produzir a enzima L-Asparaginase. 




"Já obtivemos alguns resultados positivos com as amostras, a última vez que viemos à Antártica na XXXVIII OPERANTAR, no ano de 2020, e estamos avançando para os testes com as culturas de células leucemicas. Este ano, na OPERANTAR XL visamos aumentar os nossos dados, buscando então, mais organimos que possam vir a produzir esta enzima, para que, no futuro, possamos produzir a enzima em grande escala visando a distribuição da mesma pela nação atraves do Sistema Único de Saúde (SUS), visto que nos dias atuais esta enzima no Brasil é importada da China ou dos Estados Unidos, assim, gerando um alto custo para a nação e demora no começo do tratamento com este medicamento, dificultando assim a chance de sobrevivência das crianças com esta doença", assinalou.

Os gaúchos saíram do Brasil embarcados no Navio Polar Almirante Maximiano H-41 da Marinha do Brasil, no começo de janeiro e, a estadia na Estação Antártica Comandante Ferraz - a casa do Brasil na Antártica - vai até o meio do mês de Março, com retorno marcado para chegar ao Brasil no começo de Abril. 
Eles estarão realizando saídas de campo na Iha Rei George, acompanhados por alpinistas e militares do Grupo Base da estação, frequentemente em busca dos musgos para, então, estuda-las no laboratório.

"É uma enorme satisfação representar a pesquisa Brasileira e a nossa Universidade em um local tão distante, tão único e tão importante para o planeta. Fazer trabalho de campo na Antártica não é para qualquer um. Fatores como o isolamento, a distância de casa, a falta de conforto e outros detalhes como a nossa alimentação e horários de descanso são fatores estressantes porque saem da normalidade, mudando toda nossa rotina. Tudo parece ser uma grande aventura repleta de belezas, mas na maior parte do tempo não tem nada disso. Meu maior respeito e admiração a todos os pesquisadores que, assim como eu, participam desses trabalhos, mantendo o bom humor e auxiliando na integração de todos. Gratidão ao laboratório, em especial ao professor Filipe de Carvalho Victoria pela oportunidade e a Unipampa por ter aberto as portas da ciência em minha vida. São através de experiências como estas, que podemos ver a importância de que mais investimentos públicos sejam feitos na pesquisa e ciência brasileira, assim como, a população gabrielense possa enxergar a grande representatividade e a honra de possuir a Universidade Federal do Pampa em nosso município", finalizou.

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