Coluna Ponto de Vista

Cerca de 500 mulheres do MST ocupam área da Fepagro em São Gabriel

Cerca de 500 mulheres ligadas ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) ocuparam, na madrugada desta segunda-feira (9), uma área de aproximadamente 400 hectares da Fundação Estadual de Pesquisa Agropecuária (Fepagro), em São Gabriel.
A mobilização integra a Jornada Nacional de Luta das Mulheres Sem Terra, realizada entre os dias 8 e 12 de março em diversas regiões do país. Com o lema “Reforma Agrária Popular: enfrentar as violências, ocupar e organizar!”, o movimento afirma que as atividades buscam denunciar a paralisação da reforma agrária no Brasil.
No Rio Grande do Sul, o MST também cobra a retomada das negociações para criação de novos assentamentos e reassentamentos de famílias acampadas. Segundo o movimento, o compromisso teria sido assumido pelo governo estadual, em reunião realizada em maio do ano passado.
De acordo com a integrante da Direção Nacional do MST, Lara Rodrigues, a ocupação também sinaliza que o movimento aceita a proposta de destinar áreas da Fepagro para assentamentos.
“Com essa ocupação, queremos dizer ao governador que aceitamos a proposta do assentamento nas áreas da Fepagro. Já podemos ir para lá com as famílias acampadas do Rio Grande do Sul”, afirmou.
 




O movimento destaca ainda que São Gabriel possui importância histórica na luta pela terra. A região foi palco de mobilizações do MST e ficou marcada pela morte do trabalhador rural Elton Brum da Silva, em 2009, durante uma ação de reintegração de posse.
Atualmente, o município conta com dez assentamentos que reúnem mais de 740 famílias. A produção inclui leite, grãos como feijão, milho e arroz, além de mel e carne, parte destinada a programas de comercialização de alimentos e feiras locais.
Segundo a integrante da coordenação nacional do MST, Sílvia Marques, a ocupação também pretende discutir pautas relacionadas às mulheres do campo e à violência de gênero.
“Queremos acolher as companheiras que são violadas, violentadas e que às vezes não têm para onde ir. Queremos criar um espaço onde elas possam morar, produzir, gerar renda e ter uma vida digna”, destacou.
De acordo com o movimento, a proposta inclui a destinação de cerca de 10 hectares da área para a criação de um espaço de acolhimento e geração de renda voltado a mulheres vítimas de violência.
Durante a jornada nacional, o MST também afirma defender pautas como o combate ao feminicídio, igualdade salarial, valorização da Política Nacional do Cuidado e mudanças nas relações de trabalho.
 
Fonte: https://mst.org.br/ 

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