Júri do caso Gabriel Marques Cavalheiro ouve proprietários da área onde corpo foi encontrado; julgamento segue com novos depoimentos
Médico legista responsável pela necropsia foi uma das testemunhas a depor nesta terça-feira. Foto: Luiza Meirelles/TJRS
Teve sequência na manhã desta quarta-feira (1º) o terceiro dia do julgamento dos três policiais militares acusados pela morte de Gabriel Marques Cavalheiro, de 18 anos, ocorrida em agosto de 2022, em São Gabriel.
Os trabalhos começaram por volta das 9h20, no Fórum de São Gabriel, e duas testemunhas foram ouvidas durante a manhã.
Os trabalhos começaram por volta das 9h20, no Fórum de São Gabriel, e duas testemunhas foram ouvidas durante a manhã.
A primeira a prestar depoimento foi Carmen Fontana Fugante, de 75 anos, proprietária, juntamente com o marido, Telvio Luiz Fugante, de 81 anos, da área rural localizada na localidade de Lava Pé, onde o corpo de Gabriel foi encontrado em 19 de agosto de 2022.
Na sequência, por volta das 11h40, foi ouvido Telvio Luiz Fugante. Atualmente morador de Santa Maria, ele relatou que frequenta periodicamente a propriedade rural em São Gabriel. Na época dos fatos, afirmou que realizava tratamento contra um câncer e alternava períodos de aproximadamente 90 dias entre os dois municípios.
Durante o depoimento, Telvio declarou que ele e a esposa estavam em Santa Maria quando Gabriel desapareceu. Segundo a testemunha, o retorno do casal para a propriedade estava previsto justamente para o dia em que o corpo do jovem foi localizado. No entanto, afirmou que desistiram da viagem em razão da descoberta do cadáver na área rural.
"Era um dia de voltar para casa", afirmou durante o depoimento.
A oitiva de Telvio encerrou os trabalhos da manhã por volta das 12h20. As atividades foram retomadas durante a tarde, quando outras testemunhas passaram a ser ouvidas e que traremos detalhes ainda hoje. Após o encerramento da fase de instrução, o júri seguirá para os debates entre acusação e defesa.
Segundo dia teve depoimentos de peritos e testemunhas-chave
Na terça-feira (30), segundo dia do julgamento, seis testemunhas prestaram depoimento no Fórum de São Gabriel.
O primeiro a ser ouvido foi o médico legista Áureo Felipe Norberto Duarte, responsável pela necropsia de Gabriel. Ele afirmou que o jovem não apresentava sinais típicos de afogamento e que as lesões na região cervical e da nuca indicavam que a vítima já teria entrado sem vida na água. O perito explicou ainda que impactos nessa região podem provocar perda rápida da consciência ou morte súbita.
Em seguida, depôs a tenente-coronel Karla de Moura Incerti, responsável pelo Inquérito Policial Militar (IPM). Ela afirmou que a investigação concluiu que os policiais assumiram o risco da morte de Gabriel ao deixá-lo na região do Lava Pé e relatou divergências entre as versões apresentadas pelos acusados sobre o momento em que o jovem teria sido liberado.
À tarde, foi ouvido o perito criminal Railander Alves Barcellos, responsável pela perícia no local onde o corpo foi encontrado. Ele respondeu a questionamentos sobre as características da área, como vegetação, profundidade do açude, formas de acesso e elementos observados no corpo após sua retirada da água.
Também prestou depoimento a mulher que acionou a Brigada Militar na noite do desaparecimento de Gabriel. Em razão de determinação judicial, sua identidade foi preservada. Ela contou que o jovem dizia estar perdido e que essa informação foi repassada aos policiais quando a guarnição chegou ao local. Segundo a testemunha, um dos policiais teria questionado Gabriel sobre o que fazia na cidade e, durante a abordagem, ele teria recebido um tapa e caído para trás.
A mulher afirmou ainda que ouviu dos policiais que Gabriel seria levado até a Delegacia de Polícia para que familiares fossem localizados. Antes da viatura deixar o local, disse ter pedido aos policiais que "não judiassem do guri". Em seu depoimento, também declarou que "muita coisa que foi dita não é verdade" e concluiu afirmando que "minha vida foi destruída naquela noite".
Ainda na terça-feira, foi ouvida uma vizinha que estava na residência no momento da abordagem e, por último, um tenente da Brigada Militar, superior hierárquico dos réus à época dos fatos. Ele prestou esclarecimentos sobre as diligências realizadas após o registro do desaparecimento e sobre as buscas que culminaram na localização do corpo de Gabriel.
Defesa promete apresentar nova tese
Ontem, o advogado Jean Severo afirmou à imprensa que a defesa pretende apresentar, durante os debates, a tese da existência de um quarto envolvido no caso, que seria um homem moreno. Segundo ele, essa pessoa seria moradora da região onde os fatos ocorreram. A expectativa é que os argumentos sejam detalhados na fase de debates entre acusação e defesa.
Atuam na acusação os promotores de Justiça Maria Fernanda Rabelo Ramalho, Eugênio Paes de Amorim e Karine Camargo Teixeira, representando o Ministério Público, além da assistente de acusação, advogada Rejane Igisk Lopes.
A defesa dos três policiais militares é formada pelos advogados Maurício Custódio, Ivandro Feijó, Jean Severo, Vânia Jussara Barreto, Shaianne de Gregori, Filipe Trelles e Isaac Mello.








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