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Juiza decreta prisão preventiva de policiais envolvidos em abordagem a Gabriel Cavalheiro

A Justiça comum decretou, nesta terça-feira (23), a prisão preventiva dos três policiais militares envolvidos na abordagem a Gabriel Marques Cavalheiro, jovem de 18 anos encontrado morto na última sexta-feira (19).
Dois soldados e um sargento já estão presos em razão do inquérito militar.
"Neste primeiro momento, a gente não vai ingressar com nenhuma medida jurídica contra essa prisão. Vamos nos concentrar na produção de provas. A prisão vai ser questionada no momento certo, no momento adequado", diz o advogado Maurício Adami Custódio, que representa o sargento.
A advogada dos soldados, Vania Barreto, afirma que vai aguardar o desenrolar dos fatos, especialmente os laudos periciais para tomar outras providências. "Acredito que tanto a representação quanto a decisão deferitória têm por base o clamor público e a pressão das autoridades. Mas, de qualquer modo, em se obtendo a revogação da prisão preventiva na Justiça Militar, isso acabará por influir nessa decisão da Justiça comum", diz.
Conforme a juíza Juliana Neves Capiotti, da Vara Criminal de São Gabriel, os policiais devem permanecer no presídio militar de Porto Alegre para garantir a ordem pública e a conveniência da instrução criminal. A decisão atende pedido da Polícia Civil, que trabalha com a hipótese de homicídio doloso duplamente qualificado.
Ontem, o Tribunal de Justiça Militar do Rio Grande do Sul (TJM-RS), por decisão do desembargador militar Fernando Lemos, manteve a prisão dos brigadianos envolvidos no caso. Um pedido de soltura havia sido feito pelas defesas dos policiais.

RELEMBRE O CASO:
Gabriel Marques Cavalheiro, de 18 anos, morava em Guaíba, na Região Metropolitana de Porto Alegre. Ele estava em São Gabriel para cumprir serviço militar obrigatório. O jovem estava hospedado na casa de um tio, mas a irmã também mora na cidade. Apegado às tradições gaúchas, costumava usar bombacha e chapéu de aba larga, conforme os familiares.
Na noite de 12 de agosto,  Gabriel estava na casa do tio Antônio. 
Conforme a advogada da família, Rejane Igisk Lopes, o tio foi dormir e só foi perceber a ausência do sobrinho no dia seguinte.
"Foi chamar umas 10h, 11h. Achou que ele poderia ter ido pra casa de um parente próximo. A família começou a procurar e não o achou. Na metade da tarde de sábado, ligaram para os pais dele, em Guaíba e eles se deslocaram. Foram até a Polícia Civil fazer o registro e, desde então, começou-se a busca incessante", disse Rejane ao site G1.
A principal testemunha e autora do vídeo que mostra Gabriel pela última vez é a vizinha Paula Beatriz Lima da Silva. Ela depôs à polícia e disse que estava em casa com a filha e uma afilhada quando, na noite de sexta, 12, Gabriel parou junto ao portão da casa onde ela vive e começou a gritar pelo nome "Paula". Como não conhecia ele e já estava tarde, decidiu ligar para a BM.
"Vi um movimento muito grande dos cachorros. Ele estava forçando o portão, tentando entrar. Me assustei, não reconheci o rapaz. Vi que não era da vila, não era da cidade, acionei a Brigada", contou à RBS TV.
Imagens de câmeras de segurança mostram a viatura da BM chegando ao local. Paula Beatriz conta que Gabriel foi abordado por três policiais, imobilizado e algemado. Por ser contra a forma como o jovem foi tratado, ela passou a registrar vídeos e fotos com o celular. As imagens gravadas mostram Gabriel sendo conduzido em direção à viatura.
"Acionei a brigada na intenção de retirar ele, mas não para fazerem nada contra", afirmou Paula.
Depois, conforme a vizinha, o carro partiu em direção à localidade do Lava Pé, no interior do município. 
De acord com a mãe de Gabriel, Rosane Machado Marques, os policiais disseram que o jovem estava tranquilo, teve as algemas retiradas na viatura e teria pedido para ser deixado lá, onde pediria carona até um chalé que fica em uma estrada próxima.
"Ele foi abordado, com ele nada de irregular foi encontrado, e ele foi liberado", disse Aníbal Silveira, major da BM.
Em depoimento, os policiais envolvidos na ação confirmaram que levaram o jovem até a localidade de Lava Pé, distante 6 km de onde Gabriel foi abordado. Mas a família rejeita a versão, pois o jovem não morava no município e desconhecia a região.
Além disso, segundo a advogada da família, a câmera de segurança de uma escola e o trajeto apontado pelo GPS da viatura policial mostram que o veículo ingressou na estrada de chão às 0h05min, retornando em torno de 0h12min. No entanto, pela baixa qualidade da imagem e pelo fato de as janelas estarem fechadas, não é possível identificar quem está na parte interna do automóvel.
"Vai para o Lava Pé quem realmente precisar ir. Tem umas casas de moradia, uma madeireira, um engenho de arroz. Termina o asfalto e começa uma estrada de chão. A passagem de pessoas e de carros é mínima, ainda mais no horário noturno", descreve Rejane, sugerindo que não havia motivo para Gabriel ser levado para o local.

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